Às vésperas do Copom, maioria das empresas industriais espera queda da margem de lucro nos próximos três meses

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Pesquisa trimestral da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta um cenário de crescente preocupação de empresas do setor industrial com a sua trajetória de rentabilidade no curto prazo e as condições de financiamento de suas operações. A Consulta Empresarial da CNI, antecipada ao GLOBO, é feita sempre próxima da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

De acordo com o levantamento, 56,9% das empresas projetam redução ou forte redução em sua margem líquida de lucro nos próximos três meses. No início do ano, esse índice estava em 15,9%.

Além disso, a pesquisa mostra que a maioria das empresas espera ter maior necessidade de financiamento para pagar fornecedores. “As perspectivas para os juros acrescentam uma dimensão de pressão potencial sobre os custos financeiros: entre as empresas que antecipam maior necessidade de financiamento, 56,1% também esperam elevação das taxas nas operações de contas a pagar, 50,0% nas de estoques e 34,3% nas de contas a receber”, explica o relatório da CNI.

Ainda assim, do ponto de vista da relação com os bancos, 42,1% das empresas esperam manter o atual nível de dívida, enquanto 28,9% esperam aumentar suas dívidas bancárias e o mesmo índice espera reduzir. A entidade aponta que a situação dos custos financeiros e expectativas de redução das margens líquidas aponta para pressões potenciais sobre a gestão financeira das empresas.

E isso eleva o risco de alta de preços, mesmo em um quadro de desaceleração da atividade econômica. “Nesse contexto, a intenção de reajustar os preços de venda, manifestada por quase metade das respondentes, constitui um elemento adicional relevante para a avaliação das perspectivas para os próximos meses”, diz o documento, apontando que 47,7% das empresas pretendem aumentar ou aumentar fortemente seus preços, mesmo percentual das que planejam mantê-los estáveis.

Em contrapartida, apenas 4,5% preveem redução ou forte redução. “Os resultados revelam uma baixa intenção de redução dos preços de venda e indicam que os reajustes para cima permanecem presentes nos planos de parcela relevante das empresas no curto prazo”, completa a entidade.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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