Índia poupa US$ 100 bi em importação de combustível com renováveis

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A Índia deixou de gastar mais de US$ 100 bilhões em importações de carvão e gás natural entre 2011 e 2025 por causa da capacidade solar, eólica e de biomassa que instalou desde 2010. O cálculo é do relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) sobre o mercado indiano de renováveis.

Sem esses parques, as compras externas de carvão da Índia em 2025 teriam sido cerca de 110 milhões de toneladas maiores. A economia acumulada deve mais que dobrar até 2030, segundo a projeção da agência.

O valor passa de meio trilhão de reais pela cotação atual e nasceu de uma aposta feita há uma década e meia. A Índia quadruplicou a capacidade instalada de energia limpa nos últimos dez anos e se tornou o segundo maior produtor mundial de painéis solares, atrás apenas da China.

Leilões competitivos derrubaram o custo da eletricidade solar no país e abriram espaço para os projetos híbridos, que combinam solar e eólica na mesma instalação. A Índia figura hoje entre os maiores contratantes mundiais desse formato.

O carvão ainda responde por cerca de dois terços da eletricidade indiana, e o país segue importando a maior parte do petróleo que consome. A expansão renovável reduziu a exposição externa da economia, sem eliminá-la.

A fatura evitada ganhou peso novo em 2026, com a guerra promovida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz, corredor por onde escoa boa parte do petróleo e do gás do Golfo, disparou os preços e recolocou a segurança energética no centro da política asiática.

A Ásia foi a região mais castigada pelo encarecimento do combustível importado. A Índia chegou ao choque com uma matriz mais diversificada do que a de 2010 e escapou do pior da conta.

“A expansão das renováveis na Índia está entregando grandes benefícios para sua segurança energética num momento de incerteza elevada nos mercados globais de energia”, afirmou o diretor executivo da AIE, Fatih Birol. Ele disse que a experiência indiana serve de lição a outras economias emergentes.

A agência projeta que a participação das renováveis na matriz indiana dobre até 2030 e alcance 35%. O país é hoje o segundo mercado de energia limpa que cresce mais rápido no mundo.

O governo indiano persegue a meta de 500 gigawatts de capacidade não fóssil até 2030, anunciada na conferência do clima de Glasgow. Cumprir o compromisso depende de manter o ritmo de contratação dos últimos anos.

O próprio relatório aponta o gargalo. Sustentar a expansão exigirá investimento mais rápido em redes elétricas, armazenamento e flexibilidade do sistema, além de contas mais sólidas nas distribuidoras e menos atrasos de projeto.

A escala do que falta é continental. A consultoria McKinsey estimou em outubro deste ano que as nações asiáticas precisarão investir US$ 1 trilhão por ano nos próximos 15 anos para garantir segurança energética.

A demanda asiática deve chegar a 370 milhões de terajoules em 2040, número 15% maior que a previsão anterior da consultoria. Os centros de dados de inteligência artificial aparecem como uma das pressões novas sobre o sistema.

Em todo o mundo, governos passaram a tratar a energia limpa como questão de segurança nacional, não apenas de clima. A Índia virou o exemplo mais citado de que a estratégia funciona quando a política é estável.

O Brasil acompanha o mesmo debate com dados próprios. A matriz elétrica brasileira é uma das mais renováveis do planeta, e o país convive com filas de conexão e cortes de geração eólica e solar por falta de escoamento na rede.

Para a Índia, o teste está na rede. O país mais populoso do mundo já provou que sabe instalar painel e turbina em escala, e ainda precisa mostrar que consegue escoar essa eletricidade e financiar a infraestrutura que a sustenta.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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