247 – A derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), foi celebrada por parlamentares e lideranças da esquerda brasileira, que associaram o avanço democrata à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de outubro.
A reação também foi marcada por ironias sobre a presença de Eduardo e Flávio Bolsonaro em território estadunidense, em meio ao enfraquecimento político do principal aliado internacional da família. Segundo reportagem da coluna Sonar, do jornal O Globo, políticos próximos a Lula comemoraram a conquista da maioria democrata na Câmara dos Representantes e no Senado, além das derrotas republicanas em estados tradicionalmente conservadores.
Nas redes sociais, a expressão “Os EUA fizeram o L” ganhou espaço entre os aliados do presidente brasileiro, acompanhada de referências ao chamado “efeito Bolsonaro”. A repercussão foi intensificada pela situação dos dois filhos de Jair Bolsonaro.
Eduardo mudou-se para os Estados Unidos em 2025, onde passou a articular ações internacionais contra o governo Lula. Flávio, por sua vez, deixou o Brasil após perder a disputa presidencial e receber uma determinação judicial para entregar seus passaportes.
Erika Hilton destaca derrota republicana no Texas A deputada federal Erika Hilton (PSOL) destacou o resultado eleitoral no Texas, estado historicamente associado ao conservadorismo estadunidense.
Segundo a parlamentar, os aliados de Trump “conseguiram PERDER” tanto uma cadeira no Senado quanto o governo estadual. “É lá onde mora o fugitivo Eduardo Bolsonaro e onde o derrotado Flávio Bolsonaro pretende morar”, afirmou Erika, ao comentar o impacto político da eleição.
A deputada classificou o resultado como uma “derrota humilhante” para Trump e associou o avanço democrata à mobilização da esquerda brasileira. Ela também levantou a possibilidade de que a permanência dos irmãos Bolsonaro nos Estados Unidos “pode estar em risco”.
A avaliação, entretanto, não representa uma consequência jurídica automática das eleições. Questões migratórias e de permanência no país são de competência federal, e não do governo estadual do Texas.
Janones comemora avanço da esquerda e ironiza Trump O deputado federal André Janones, reeleito e responsável pela mobilização digital do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, também celebrou os resultados estadunidenses.
Para ele, a vitória de Lula no Brasil e o desempenho dos democratas demonstram a possibilidade de derrotar movimentos de extrema direita em diferentes países. “A gente tá mostrando pro mundo que sim, nós podemos vencê-los de uma vez por todas!”, declarou.
Durante a apuração, Janones publicou mensagens comemorando as derrotas republicanas e ironizou Trump, a quem chamou de “laranjão”. O parlamentar também compartilhou publicações do ativista estadunidense Isaiah Martin e difundiu a hashtag “TheBolsonarosEffect”, em referência irônica à atuação dos filhos de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.
Lindbergh vê enfraquecimento internacional da extrema direita O deputado federal Lindbergh Farias (PT) avaliou que o resultado representa uma mudança relevante na correlação de forças políticas internacionais.
Ele classificou o desempenho eleitoral dos democratas como uma “derrota maiúscula” de Trump e um “passo importante para enfraquecer a extrema-direita no mundo”. Lindbergh também repercutiu a hashtag sobre o suposto efeito Bolsonaro, reforçando as ironias dirigidas à família do ex-presidente brasileiro.
Manuela D’Ávila (PSOL), que disputou o Senado pelo Rio Grande do Sul na chapa de Lula, destacou que Trump sofreu derrotas em “lugares inimagináveis”. Ela também defendeu o retorno de Eduardo e Flávio Bolsonaro ao Brasil para responderem perante a Justiça.
Diversidade marca conquistas democratas A deputada federal Duda Salabert (PSOL) chamou atenção para a representatividade dos candidatos eleitos nos Estados Unidos.
Entre os resultados destacados estão a eleição da primeira mulher indígena para o Senado, do primeiro senador muçulmano e do primeiro senador abertamente gay. O deputado federal eleito Rick Azevedo (PSOL) também comemorou a mudança política, embora tenha ressaltado que o Brasil ainda enfrentará “quatro anos de um Congresso complicado”.
Para o parlamentar, a vitória de Lula e o avanço democrata nos Estados Unidos indicam que “juntos estamos abrindo um novo caminho para um futuro”. A eleição estadunidense representa um revés significativo para Trump, que perde a maioria republicana nas duas Casas do Congresso.
O resultado tende a ampliar os obstáculos à agenda legislativa do presidente nos dois anos restantes de seu mandato. Para os aliados de Lula, a derrota também tem uma dimensão simbólica: depois de apostar na proximidade com Trump como instrumento de pressão política contra o governo brasileiro, a família Bolsonaro vê seu principal aliado internacional enfrentar uma expressiva reação nas urnas.
Brasil 247