O avanço do Partido Democrata nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos pode abrir espaço para uma nova etapa nas relações entre Brasil e EUA, mas também pode levar o presidente Donald Trump a adotar uma postura mais radical. A avaliação, que divide integrantes do governo Lula, consta de coluna de Míriam Leitão publicada em O Globo, com base em conversas com fontes do governo federal que acompanham a relação com Washington.
Segundo a coluna, a nova correlação de forças no Congresso americano pode favorecer uma negociação entre Lula e Trump para reduzir barreiras comerciais aos produtos brasileiros. O principal ponto do contencioso é a sobretaxa sobre as tarifas de importação de mercadorias do Brasil.
Interlocutores do governo veem a possibilidade de um novo momento diplomático depois do fim dos processos eleitorais nos dois países. Uma das fontes afirmou que o fim das eleições pode inaugurar “um novo momento das conversas entre Trump e Lula”.
O raciocínio considera que o Congresso americano delegou ao presidente o poder de definir alíquotas, mas manteve a palavra final sobre a política tarifária. Com a oposição em maioria na Câmara e no Senado, segundo o texto, haveria condições para uma contenção comercial que beneficiaria o Brasil e outros parceiros dos EUA.
Há, porém, quem enxergue risco. Uma segunda fonte, não identificada, teme que Trump reaja de forma mais intempestiva à perda de controle do Legislativo.
Segundo ela, o presidente americano poderia elevar as tarifas para provocar um conflito e depois voltar ao patamar anterior, caso precise reduzi-las. A avaliação institucional das fontes é que o segundo mandato de Trump foi marcado pelo fortalecimento do Poder Executivo, dinâmica que seria revertida pelo avanço democrata.
Para elas, a imposição de limites ao poder presidencial enfraquece politicamente o líder americano e é relevante para a democracia em escala global. A coluna não traz manifestação oficial do Palácio do Planalto, do Itamaraty ou da Casa Branca sobre o tema.
Cafezinho