Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, negou ter cometido fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) e atribuiu a crise enfrentada pelo banco público à liquidação do Master e às investigações sobre o caso. Durante a oitiva, realizada em 15 de setembro, Vorcaro afirmou que a crise de credibilidade do BRB provocou saques de R$ 9 bilhões após a liquidação do Master e sua prisão.
“A crise do BRB não foi causada por mim, não, foi causada pela situação que ocorreu, de liquidação do Master, que era parceiro”, declarou. O ex-banqueiro também negou a comercialização de créditos inexistentes.
Questionado sobre as irregularidades nas operações, sustentou que nem o BRB nem os clientes sofreram prejuízos, argumento que, segundo sua versão, afastaria a acusação de fraude. Vorcaro reconheceu a existência de problemas envolvendo carteiras de crédito vinculadas à empresa Tirreno, mas afirmou que as operações foram interrompidas em maio e que as pendências haviam sido solucionadas antes do caso se tornar público, em novembro.
Segundo ele, após identificar problemas nas carteiras, utilizou ativos do Master e recursos próprios para substituí-las junto ao BRB. Vorcaro alegou ainda que o banco público recebeu ativos em valor superior ao que havia desembolsado.
Ao contestar as investigações, o mesmo afirmou que informações do BC teriam sido interpretadas de maneira equivocada. Também classificou como fictícia a suspeita de uma fraude de R$ 12 bilhões.
“Não tem cliente que perdeu dinheiro, o BRB não perdeu dinheiro”, afirmou à PF. Vorcaro declarou ainda que considera sua prisão injusta e pediu o arquivamento do processo.
Como alternativa para esclarecer as operações, propôs a contratação de uma empresa estrangeira para realizar uma perícia independente sobre os ativos negociados.
Diario do poder