Fonteles vira alvo de fogo amigo no PT contra sua indicação para a Fazenda

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), tornou-se alvo de fogo amigo entre integrantes do próprio campo governista que resistem à sua eventual indicação para o Ministério da Fazenda. Considerado um dos nomes avaliados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar a política econômica no próximo mandato, Fonteles passou a enfrentar objeções de auxiliares do Palácio do Planalto, que questionam desde sua experiência em Brasília até as consequências políticas de sua saída do governo estadual.

As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo, que relata uma movimentação de bastidores para enfraquecer a candidatura do governador à Fazenda. Segundo o jornal, o próprio Lula, que anteriormente havia cogitado seu nome, passou a fazer ponderações sobre os riscos da escolha.

Um dos argumentos apresentados por interlocutores do presidente é que Fonteles precisaria renunciar ao governo do Piauí para assumir o ministério. Como não poderia simplesmente retornar ao cargo estadual, sua eventual demissão da Fazenda poderia produzir um impasse político.

Na avaliação desses auxiliares, ele se tornaria uma espécie de ministro “indemissível”. Outra objeção é que o governador ainda não teria sido “testado em Brasília”, apesar de sua experiência administrativa à frente do Piauí.

Reuniões com o mercado alimentam resistências A resistência à indicação de Fonteles ganhou força depois que chegaram ao Palácio do Planalto relatos de que o governador estaria mantendo conversas com representantes do mercado financeiro.

Segundo a Folha, alguns auxiliares de Lula interpretaram a movimentação como uma antecipação indevida de sua eventual nomeação, avaliando que Fonteles estaria se comportando como futuro ministro antes de qualquer decisão presidencial. O governador, entretanto, negou ter realizado reuniões com empresários e afirmou que não discutiu com Lula cargos no futuro governo ou os rumos da política econômica.

A disputa ocorre em um momento de pressão do mercado financeiro por definições sobre a equipe econômica e por medidas destinadas a estabilizar as contas públicas. Alckmin surge como alternativa, mas também enfrenta objeções

Com as resistências a Fonteles, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ganhou espaço nas especulações sobre o comando da Fazenda. Sua eventual indicação, contudo, também provoca preocupações entre auxiliares presidenciais.

Por ocupar a Vice-Presidência da República, Alckmin teria uma posição institucional que tornaria politicamente delicada sua substituição em caso de divergências com Lula. “O problema é o cargo de vice, não o Alckmin”, afirmou à Folha um interlocutor do presidente.

A preocupação é que a escolha de um ministro com elevada autonomia política acabe criando uma espécie de primeiro-ministro informal no comando da área econômica. Alckmin também tem mantido conversas com empresários e representantes do mercado financeiro.

Segundo interlocutores ouvidos pelo jornal, caso fosse escolhido, poderia formar uma equipe integrada por economistas de projeção nacional. O vice-presidente preferiu não comentar as especulações.

Camilo Santana e Haddad entram nas articulações O nome de Camilo Santana (PT-CE) também aparece nas discussões sobre a futura composição ministerial.

O senador e ex-ministro da Educação é considerado uma alternativa para diferentes posições estratégicas, entre elas a Casa Civil, a Segurança Pública e a própria Educação, além da Fazenda. Fernando Haddad, que comandou a Fazenda no terceiro mandato de Lula, também é mencionado nas articulações para a nova equipe, especialmente como possibilidade para a Casa Civil.

A multiplicidade de nomes e funções em discussão indica que Lula ainda não definiu o desenho político de seu próximo governo, em um cenário no qual a escolha da equipe econômica terá implicações tanto para a relação com o Congresso quanto para a condução do ajuste fiscal. Durigan busca se consolidar e enfrenta debate sobre juros

Enquanto prosseguem as especulações, o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, procura fortalecer sua posição no governo. Durigan recebeu autorização de Lula para desmentir rumores de que o presidente pretendia se reunir com o economista André Lara Resende para discutir os rumos da política econômica.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também saiu em defesa do ministro e afirmou, em nota, que Durigan era o único integrante do governo autorizado a falar sobre o assunto. O ministro voltou a defender medidas de ajuste fiscal e apresentou críticas à proposta de Lara Resende de reduzir a taxa Selic para 7,5% ao ano.

Sua posição, entretanto, provocou reações de integrantes do próprio PT favoráveis a uma mudança mais acelerada na política monetária. A controvérsia ocorre depois de o Banco Central manter a Selic em 13,75% ao ano, apesar dos sinais de desaceleração da economia brasileira.

Orçamento de 2027 é prioridade imediata Para integrantes da equipe econômica, a principal preocupação neste momento é assegurar a aprovação das medidas necessárias para viabilizar o Orçamento de 2027.

O governo precisa negociar ajustes fiscais com o Congresso ainda neste ano, antes da posse da nova composição parlamentar, marcada pelo fortalecimento da oposição. Na avaliação desses auxiliares, a prioridade deveria ser a definição das medidas orçamentárias e a construção de condições políticas para sua aprovação, deixando para um segundo momento as decisões sobre a composição definitiva da equipe econômica.

A disputa em torno de Fonteles, Alckmin e Durigan revela, contudo, que a sucessão no Ministério da Fazenda já se tornou um dos principais focos de tensão nos bastidores do novo governo Lula.

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