247 – O Banco Central apontou a depreciação da taxa de câmbio, em patamar mais elevado do que o anteriormente esperado, como um dos fatores de pressão sobre a inflação que contribuíram para a decisão de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) também destacou a elevação das expectativas inflacionárias, os choques de oferta e as incertezas relacionadas ao cenário internacional.
As justificativas constam do comunicado divulgado pelo Banco Central após a reunião do Copom. Segundo a autoridade monetária, a manutenção dos juros em nível considerado “substancialmente contracionista” busca assegurar a convergência da inflação para a meta, embora os indicadores mais recentes apontem para uma desaceleração da atividade econômica brasileira.
A avaliação sobre o câmbio ganha relevância em um contexto de maior volatilidade dos mercados financeiros. Uma moeda brasileira mais depreciada encarece produtos importados, insumos industriais e commodities cotadas em dólar, ampliando as pressões sobre os preços domésticos.
Projeção de inflação sobe para 3,5% em 2028 O Copom informou que sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no segundo trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária, aumentou para 3,5%.
O cálculo considera os choques de oferta registrados desde a reunião anterior e a trajetória esperada para a Selic, conforme a pesquisa Focus. As expectativas de inflação do mercado financeiro também se deterioraram.
Segundo o levantamento do Banco Central, as estimativas chegaram a 5,2% para 2026 e 4,8% para 2027, afastando-se da meta estabelecida para a inflação. No cenário de referência do Copom, a inflação projetada é de 5,6% em 2026, 4,7% em 2027 e 3,5% no segundo trimestre de 2028.
Para os preços administrados, as estimativas são de 6%, 4,2% e 3,9%, respectivamente. Câmbio, petróleo e expectativas preocupam o Banco Central
Entre os principais riscos de alta para a inflação, o Copom destacou a possibilidade de manutenção de uma taxa de câmbio depreciada por período prolongado, a persistência da inflação de serviços e a continuidade da desancoragem das expectativas inflacionárias. O comunicado também mencionou os efeitos dos conflitos armados no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e de seus derivados, além das oscilações nos mercados internacionais de commodities.
Segundo o Banco Central, choques relacionados ao clima, à produtividade agrícola e aos custos de energia podem produzir efeitos secundários sobre os demais preços da economia. O comitê avaliou ainda que a política monetária restritiva nas economias avançadas e a volatilidade dos ativos financeiros internacionais exigem cautela adicional dos países emergentes.
Economia brasileira apresenta sinais de desaceleração Apesar das preocupações inflacionárias, o próprio Copom reconheceu que os indicadores recentes apontam para uma moderação mais acentuada da atividade econômica brasileira, especialmente nos setores mais sensíveis às condições de crédito e ao nível dos juros.
O mercado de trabalho permanece resiliente, mas também apresenta sinais de desaquecimento na margem. A desaceleração doméstica mais intensa do que a prevista foi identificada pelo Banco Central como um dos riscos capazes de reduzir a inflação.
Outros fatores que poderiam contribuir para esse movimento seriam uma perda de dinamismo da economia mundial e uma eventual queda nos preços das commodities. O cenário evidencia o desafio enfrentado pela política monetária: conter a inflação em um ambiente de pressões cambiais e externas, sem aprofundar excessivamente a desaceleração da economia.
Política fiscal também permanece no radar O Copom afirmou que continuará acompanhando os efeitos da política fiscal sobre os ativos financeiros e as condições monetárias.
A autoridade monetária considera que expectativas de inflação persistentemente acima da meta dificultam o processo de desinflação e aumentam o custo econômico necessário para estabilizar os preços. Diante desse quadro, o Banco Central defendeu serenidade e cautela na condução da política monetária, sem sinalizar uma redução imediata da taxa básica de juros.
A decisão de manter a Selic em 13,75% ao ano foi aprovada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pelos demais integrantes do colegiado: Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
Brasil 247