247 – O empresário João Amôedo, fundador do Partido Novo e ex-candidato à Presidência da República, criticou a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Em publicação nas redes sociais, Amôedo afirmou que a autoridade monetária comete um erro ao preservar juros reais próximos de 9% ao ano, especialmente em um cenário de desaceleração da atividade econômica.
“Entretanto, o Banco Central erra ao ser pautado pelo Focus e manter a Selic inalterada hoje. Não faz sentido uma taxa de juros real próxima a 9% a.a com a economia desacelerando”, escreveu Amôedo.
A manifestação chama a atenção porque parte de um empresário identificado historicamente com a defesa da austeridade fiscal, da redução dos gastos públicos e de políticas econômicas liberais. Mesmo mantendo suas críticas à condução das contas públicas, Amôedo considera excessivo o atual nível de restrição monetária.
Amôedo cobra responsabilidade fiscal, mas critica o Banco Central Na mesma publicação, o ex-presidenciável atribuiu os juros elevados à situação das contas públicas e defendeu a redução das despesas governamentais e dos benefícios fiscais.
“As altas taxas de juros do Brasil são consequência direta da falta de responsabilidade do governo com as contas públicas. E não há atalho.
Só a redução das despesas e dos benefícios fiscais poderá reverter esse quadro”, afirmou. Apesar dessa avaliação, Amôedo estabeleceu uma distinção entre os problemas fiscais e a decisão específica do Comitê de Política Monetária (Copom).
Para ele, o Banco Central não deveria manter a Selic inalterada apenas com base nas expectativas de inflação reunidas na pesquisa Focus, especialmente quando os indicadores econômicos apontam para perda de dinamismo. A crítica coloca em discussão o peso atribuído às projeções do mercado financeiro na definição da política monetária e a necessidade de considerar os efeitos dos juros elevados sobre o crédito, o investimento e o crescimento econômico.
Copom reconhece desaceleração, mas mantém juros elevados A manifestação ocorreu após o Copom decidir manter a Selic em 13,75% ao ano.
No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central reconheceu que a economia brasileira apresenta sinais de desaceleração mais acentuada, sobretudo nos setores sensíveis às condições monetárias. A autoridade monetária, entretanto, justificou a decisão com base na persistência das pressões inflacionárias, na elevação das expectativas de inflação e em fatores externos, incluindo a depreciação cambial e os efeitos dos conflitos internacionais sobre os preços do petróleo.
O Copom informou ainda que sua projeção de inflação para o segundo trimestre de 2028 subiu para 3,5%, acima da meta de 3%. Debate sobre juros ganha novos contornos
A posição de Amôedo acrescenta uma voz de orientação liberal às críticas sobre o nível dos juros brasileiros. Embora não questione a necessidade de responsabilidade fiscal, o empresário considera inadequado manter uma taxa real próxima de 9% ao ano em uma economia que já apresenta sinais de enfraquecimento.
O debate envolve duas questões distintas: a necessidade de estabilizar as contas públicas e a avaliação sobre se o grau atual de aperto monetário é proporcional aos riscos inflacionários. A manifestação do ex-presidenciável evidencia que as divergências sobre a política de juros não se limitam a economistas desenvolvimentistas ou a setores tradicionalmente críticos da atuação do Banco Central.
Também entre defensores do ajuste fiscal há questionamentos sobre os custos econômicos da manutenção prolongada de taxas reais tão elevadas. As altas taxas de juros do Brasil são consequência direta da falta de responsabilidade do governo com as contas públicas.
E não há atalho. Só a redução das despesas e dos benefícios fiscais poderá reverter esse quadro.Entretanto, o Banco Central erra ao ser pautado pelo Focus e…— João Amoêdo (@joaodamoedo) November 4, 2026
Brasil 247