Vitória dos democratas nos EUA aumenta incerteza sobre guerra, juros e dívida americana

Vitória dos democratas nos EUA aumenta incerteza sobre guerra, juros e dívida americana - Foto
Fonte da notícia: G1 G1

Democratas conquistam controle do Congresso nos Estados Unidos A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos colocou mais um fator de incerteza no radar dos investidores.

O resultado ocorre em um momento em que os mercados já enfrentam os efeitos da guerra no Irã, a inflação elevada e o aumento da dívida pública americana. MAPAS mostram resultados em tempo real

ACOMPANHE: as últimas notícias sobre as midterms Embora a reação inicial tenha sido moderada, os investidores agora tentam entender como o resultado das eleições pode afetar decisões econômicas do governo e as regras para empresas de tecnologia.

A preocupação é que o novo cenário político aumente a instabilidade em um momento em que a economia mundial já enfrenta pressões. Entre os principais pontos de atenção estão o futuro da guerra no Oriente Médio, os gastos públicos dos Estados Unidos e a regulamentação do setor de inteligência artificial (IA).

Guerra no Irã mantém pressão sobre os preços Um dos principais riscos para os mercados continua sendo a guerra no Irã.

O petróleo permanece acima de US$ 100 por barril, com alta de 70% neste ano, pressionando os custos de combustíveis para consumidores e empresas. Na prática, quando o petróleo fica mais caro, o impacto não se limita aos postos de combustíveis.

O aumento também pode elevar os custos de transporte e produção, encarecendo outros produtos e serviços. ➡️ O problema é que essa pressão pode se espalhar pela economia e dificultar o controle da inflação.

Os bancos centrais acompanham esse risco porque uma alta mais disseminada dos preços pode exigir juros mais elevados. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não consegue atingir sua meta de inflação há mais de meia década.

Na zona do euro, a inflação anual chegou a 4% em outubro, maior nível em três anos, impulsionada pelos preços da energia. O resultado reforçou as apostas de que o Banco Central Europeu (BCE) eleve os juros em dezembro.

Além da guerra no Irã, outros episódios também aumentaram a preocupação dos investidores com a política externa americana. A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e as ameaças de Donald Trump de impor tarifas a aliados europeus por causa da Groenlândia também surpreenderam os mercados.

Vitória democrata pode aumentar controle sobre inteligência artificial Outro ponto que entrou no radar dos investidores é o futuro das empresas de inteligência artificial.

A vitória democrata levantou preocupações sobre a possibilidade de o Congresso americano adotar uma fiscalização mais rigorosa sobre o setor. Pesquisas de opinião mostram que eleitores democratas são favoráveis a um controle maior sobre a IA.

Por isso, investidores temem que o novo cenário político resulte em regras mais rígidas para as empresas que desenvolvem e utilizam essa tecnologia. A preocupação existe porque a inteligência artificial se tornou uma das principais apostas de crescimento da economia americana, impulsionando investimentos de grandes empresas de tecnologia.

Apesar do receio inicial, as bolsas mundiais se recuperaram das perdas registradas mais cedo nesta quarta-feira. Os futuros dos índices acionários dos Estados Unidos também avançavam depois de terem caído até 2%.

Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões O endividamento americano também preocupa os investidores.

A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou recentemente US$ 40 trilhões, em um momento em que o governo precisa financiar seus gastos e manter a confiança de quem compra títulos do Tesouro americano Quando os investidores ficam mais preocupados com a capacidade do governo de administrar suas contas, podem exigir juros maiores para emprestar dinheiro ao país.

Isso encarece o financiamento da dívida e pode aumentar os custos para toda a economia. O aumento dos investimentos em inteligência artificial e o elevado endividamento dos governos já contribuíram para levar os custos dos empréstimos a níveis não vistos em várias décadas, segundo a Reuters.

Nesse cenário, o resultado das eleições também trouxe alívio para parte do mercado. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries, caíam nesta quarta-feira.

Analistas apontaram que os investidores receberam positivamente a possibilidade de Trump não conseguir colocar em prática a promessa de distribuir cheques de US$ 5 mil aos adultos americanos caso os republicanos vencessem as eleições. A preocupação agora se volta também para as negociações do orçamento dos Estados Unidos para 2027.

O Congresso adiou o debate sobre os gastos do governo para depois das eleições e estabeleceu 11 de dezembro como prazo para chegar a um acordo de financiamento. Donald Trump, presidente dos EUA

Reuters

Publicação Original G1 g1.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →