O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que o mercado aguarda a definição de quem será o ministro da Fazenda e de como será conduzida a política econômica após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o executivo, ainda há especulações sobre possíveis mudanças na política fiscal, mas nenhuma proposta concreta.
“O mercado, por definição, ele não tem partido, né? Ele olha pra propostas concretas”, afirmou durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre. Maluhy defendeu que a retomada do grau de investimento deve ser um objetivo do Brasil, destacando seus efeitos sobre o acesso e o custo do financiamento.
O executivo também ressaltou a necessidade de conciliar as políticas fiscal e social, diante das pressões inflacionárias pevistas para 2027. Segundo ele, a desvalorização cambial, os combustíveis, a reforma tributária e mudanças na jornada de trabalho estão entre os fatores que podem pressionar os preços.
“Tão importante quanto o social é o fiscal, ou tão importante quanto o fiscal é o social”, afirmou. Maluhy alertou para os riscos de tentar reduzir os juros no curto prazo sem criar condições econômicas para uma queda sustentável das taxas.
Segundo o executivo, esse movimento poderia elevar os juros de longo prazo, diante do aumento da percepção de risco. “O risco que a gente corre é imaginar que a queda de juros de curto prazo […] possa ser feita na força bruta”, afirmou durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre.
Maluhy destacou que mais de 70% das instituições consultadas pelo mercado esperam uma pausa no ciclo de cortes de juros na reunião do Copom desta quarta-feira. Na avaliação do executivo, os juros devem permanecer em patamar restritivo por um período prolongado, diante das pressões inflacionárias.
Maluhy mencionou projeções de inflação próximas de 6% em 2027 e afirmou que o controle dos preços é fundamental para permitir uma redução estrutural das taxas de juros. Desenrola 3
Durante a teleconferência com analistas, Maluhy também disse que o banco está, neste momento, procurando entender as regras para participação no Desenrola 3, programa federal por meio do qual o governo vai comprar dívidas vencidas que estão nos balanços dos bancos. Segundo ele, o Itaú participou de todas as edições do Desenrola e vai participar desta também, mas o efeito tende a ser imaterial para o resultado do banco.
"Temos procurado entender os detalhes, sempre com um olhar do que é benéfico do ponto de vista do cliente", comentou. Ele também ressaltou que, usualmente, o Itaú vende carteiras - as maiores já foram baixadas a prejuízo -, e isso ajuda a reciclar o portfólio.
Neste terceiro trimestre, o banco também vendeu um pouco de carteiras ativas. "Não estamos vendendo carteira com intensidade para melhorar indicadores de atraso.
Somos transparentes quanto a isso, abrimos os números [de atraso] com e sem venda de carteira. É imaterial o impacto".
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Ana Paula Paiva/Valor
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