Pequenas e médias empresas que empregam 26,1 milhões de brasileiros começam a captar milhões diretamente de investidores e abrem nova frente de financiamento no país

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Empresas brasileiras que antes dependiam principalmente de empréstimos bancários estão encontrando uma nova maneira de conseguir dinheiro para ampliar fábricas, comprar equipamentos e financiar seus negócios. Em vez de procurar apenas os bancos, essas companhias começaram a emitir títulos de dívida e negociar diretamente com investidores.

Segundo o Valor Econômico, em conteúdo de marca da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), publicado em 3 de novembro de 2026, o número de operações com notas comerciais cresceu 31% nos primeiros oito meses do ano, passando de 123 para 161.

A associação também informa que pequenas e médias empresas concentram 65% dos empregos formais, alcançando aproximadamente 26,1 milhões de trabalhadores. A expansão dos instrumentos financeiros abre novas possibilidades para negócios que precisam de recursos para crescer.

Entre janeiro e agosto de 2026, o mercado brasileiro registrou 161 operações com notas comerciais. No mesmo período de 2025, haviam sido realizadas 123 operações, segundo os dados divulgados pela Anbima.

As notas comerciais funcionam como uma forma de empréstimo. A empresa emite um título, recebe dinheiro dos investidores e assume a obrigação de pagar conforme as condições estabelecidas na operação.

O crescimento do número de emissões indica que mais operações estão sendo realizadas. Entretanto, os dados não permitem afirmar que todas partiram de pequenas empresas, pois companhias de diferentes portes utilizam esse instrumento.

Embora a quantidade de operações tenha aumentado, o dinheiro total captado pelas notas comerciais diminuiu. O volume passou de R$ 35,5 bilhões para R$ 33,7 bilhões na comparação anual.

O valor médio de cada operação caiu de aproximadamente R$ 289 milhões para R$ 209 milhões. A redução foi de 27%, mesmo com o crescimento do número de emissões registradas no mercado.

Essa mudança indica que as captações estão acontecendo em valores médios menores. Para a Anbima, o movimento pode abrir espaço para empresas que precisam levantar quantias inferiores às tradicionalmente buscadas por grandes companhias.

O levantamento apresentado pela Anbima informa que pequenas e médias empresas respondem por 65% dos empregos formais brasileiros. Esse conjunto alcança aproximadamente 26,1 milhões de trabalhadores.

A participação informada é ainda maior em determinados setores. Nos segmentos de serviços e comércio, chega a 79,5%, enquanto na indústria o percentual apresentado é de 72,9%.

Os números consideram o conjunto de pequenas e médias empresas utilizado no levantamento da associação. Não devem ser confundidos com dados exclusivos das micro e pequenas empresas, que possuem outra classificação de porte.

O crescimento das notas comerciais aconteceu durante um período de forte movimentação financeira. Entre janeiro e agosto, empresas brasileiras captaram R$ 486,2 bilhões no mercado de capitais.

O resultado representa aumento de 7,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Foram registradas 2.014 operações, crescimento de 11% na quantidade de negócios realizados.

Desse volume, R$ 384,6 bilhões vieram de instrumentos de renda fixa. Nessa categoria, os investidores emprestam recursos aos emissores e recebem remuneração conforme as condições dos títulos adquiridos.

Uma das mudanças recentes ocorreu com a criação do Regime Fácil, desenvolvido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para simplificar o acesso de empresas menores ao mercado financeiro. O programa é destinado a companhias com faturamento bruto anual inferior a R$ 500 milhões.

As regras permitem realizar operações de financiamento com procedimentos adaptados ao porte desses negócios. O sistema entrou em vigor em 16 de março de 2026.

A proposta é reduzir parte das exigências e despesas que dificultavam a participação de empresas menores nesse mercado. Entre março e agosto de 2026, sete operações de emissão de dívida corporativa foram realizadas pelo Regime Fácil.

Juntas, elas captaram aproximadamente R$ 179 milhões. Em setembro, a B3 também divulgou os resultados dos primeiros seis meses do programa.

Na infraestrutura da bolsa, cinco emissões haviam movimentado R$ 161 milhões naquele levantamento. As operações mencionadas pela B3 envolveram empresas de tecnologia, publicidade, administração hoteleira, cosméticos e logística.

Os valores pertencem a recortes diferentes e não devem ser somados. Os recursos obtidos diretamente com investidores podem ser utilizados em diferentes atividades empresariais.

Entre elas estão compra de máquinas, ampliação de instalações e abertura de novas unidades. Uma indústria que precisa aumentar sua produção pode buscar financiamento para adquirir equipamentos.

Uma transportadora pode utilizar recursos para ampliar sua estrutura, desde que as condições da operação permitam essa finalidade. O dinheiro também pode atender às despesas do funcionamento diário.

Essa necessidade é conhecida como capital de giro e envolve pagamentos a fornecedores, manutenção de estoques e outras obrigações. Além das notas comerciais, empresas brasileiras utilizam os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, conhecidos como FIDCs.

Esses fundos compram valores que companhias têm para receber futuramente. Na prática, uma empresa pode antecipar recursos de vendas realizadas a prazo.

Em vez de esperar o pagamento de todos os clientes, recebe dinheiro por meio da negociação desses direitos. Segundo a Anbima, as operações com FIDCs movimentaram R$ 74,3 bilhões entre janeiro e agosto de 2026.

O crescimento foi de 41% em relação ao mesmo período de 2025. No encerramento de 2025, aproximadamente 2.913 empresas recebiam financiamento por meio de FIDCs, conforme o levantamento apresentado pela Anbima.

Durante os primeiros oito meses de 2026, a quantidade de operações envolvendo esses fundos passou de 678 para 769. O aumento chegou a 13,4% na comparação anual.

Esse modelo pode atender empresas que possuem vendas a prazo e precisam antecipar recebimentos. Entretanto, as condições de contratação e os custos variam conforme o risco e as características de cada operação.

Apesar dos avanços, entrar no mercado de capitais continua exigindo preparação. As empresas precisam organizar informações financeiras, apresentar documentos e atender às regras de cada modalidade.

Dependendo da operação, também existem despesas com assessoria especializada, avaliação de riscos e estruturação dos contratos. Esses custos podem representar uma dificuldade para negócios de menor porte.

A Anbima defende a ampliação dos instrumentos disponíveis e a simplificação de procedimentos proporcionais ao tamanho das empresas, preservando as informações necessárias para proteger investidores. A ampliação das alternativas financeiras pode permitir que empresas executem projetos antes adiados por falta de recursos.

Isso inclui investimentos em instalações, equipamentos e expansão comercial. Quando esses projetos avançam, podem surgir necessidades de contratação de trabalhadores e serviços de fornecedores.

Entretanto, o financiamento não garante automaticamente a criação de empregos. Os resultados dependerão das decisões de investimento, da demanda pelos produtos e das condições econômicas de cada negócio.

Os dados de 2026 mostram maior utilização dos instrumentos financeiros, mas não quantificam novos empregos gerados diretamente por essas captações.

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