Mercado espera que Copom interrompa cortes na Selic e reconheça piora do cenário econômico

Mercado espera que Copom interrompa cortes na Selic e reconheça piora do cenário econômico - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

O choque nos mercados após o segundo turno da eleição presidencial deve levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a interromper os cortes de juros nesta quarta-feira. Das 105 casas ouvidas pelo Valor na pesquisa divulgada ontem, 72 esperam manutenção da Selic em 13,75%, enquanto 33 projetam ao menos mais uma redução de 0,25 ponto percentual.

Além da decisão, a atenção estará nas novas projeções de inflação e na avaliação do Banco Central (BC) sobre a piora do ambiente econômico. O desafio será explicar como a desvalorização da taxa de câmbio, o aumento dos prêmios de risco e a deterioração das expectativas inflacionárias afetam o espaço para redução os juros, mesmo com sinais de enfraquecimento da atividade.

A decisão do Copom desta quarta-feira também guarda um componente político importante, e não somente por ser a primeira após as eleições. Nos últimos dias, diante da piora dos mercados, tem crescido a pressão política sobre a autoridade monetária para que o processo de redução dos juros tenha continuidade.

Além disso, o mercado tem reagido a especulações sobre a adoção de uma política econômica mais heterodoxa no governo Lula 4, o que tem elevado os prêmios de risco exigidos pelos investidores. Projeções de inflação

Um dos principais termômetros será a estimativa de inflação para o segundo trimestre de 2028, que passa a ser o horizonte relevante da política monetária. É para esse período que o Copom começa a olhar ao calibrar o nível da taxa de juros.

Simulações da XP e do Santander apontam para uma projeção de 3,5%. O Itaú, em relatório de 30 de outubro, estimava 3,4%, mas alertava que a atualização das expectativas da pesquisa Focus poderia alterar o resultado.

Na reunião anterior, a projeção divulgada pelo Copom era de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028. Essas contas combinam diferentes forças.

O dólar e o petróleo mais caros pressionam a projeção de inflação, assim como expectativas mais distantes da meta. Já uma trajetória de juros mais alta, também incorporada ao cenário de referência por meio do Focus, atua na direção contrária.

Há ainda uma ressalva: a taxa de câmbio usada nas simulações, próxima de R$ 5,20, reflete uma média dos dias anteriores e fica abaixo das cotações observadas após a eleição. Assim, a projeção pode não incorporar integralmente a pressão cambial mais recente.

Na manhã desta quarta-feira, por exemplo, o dólar é negociado acima de R$ 5,45. Comunicação e próximos passos

No comunicado, será importante observar como o Copom qualificará a deterioração do cenário. O Itaú espera que o ambiente externo deixe de ser descrito como “incerto” e passe a ser considerado “adverso”, diante da alta do petróleo e do aperto das condições financeiras internacionais.

No quadro doméstico, a atenção estará no reconhecimento de uma piora adicional das expectativas de inflação. Não há grande expectativa no mercado em relação a um retorno do “forward guidance” ou a uma indicação do Copom sobre quanto tempo a taxa Selic poderá ficar parada.

No Santander, por exemplo, os economistas esperam uma pausa sem compromisso com a retomada dos cortes ou com um encerramento definitivo do ciclo de flexibilização. Já o Itaú prevê uma comunicação de interrupção, com reforço da cautela.

Publicação Original Valor valor.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →