O VIII Cortejo Visagento, manifestação cultural que celebra a cultura paraense, será realizado no bairro do Guamá, em Belém, no dia 31 de outubro. Neste ano, o evento propõe uma reflexão sobre a relação da cidade com o rio Tucunduba.
Com o tema “Quem tem medo do Rio Tucunduba?”, o movimento busca fortalecer o senso de pertencimento dos moradores do Guamá. Ele valoriza a história, criatividade e identidades do bairro, invertendo a perspectiva de que o rio ameaça a cidade, para a cidade que ameaça o rio.
História e Ameaças do Rio Tucunduba Historicamente, o Rio Tucunduba serviu como via para barcos, pessoas e mercadorias das ilhas.
Ele contribuiu para a formação territorial e a memória dos que viveram em suas margens. O rio está intrinsecamente ligado à história do Guamá e ao antigo Asylo, marcando a formação do bairro.
Entretanto, com a urbanização, o rio passou a ser associado a problemas como alagamentos e poluição. Ao ser alvo de lixo, esgoto e aterramentos, teve seu curso pressionado pela cidade.
O Tucunduba foi descaracterizado como rio, sendo tratado apenas como um canal, perdendo sua importância ambiental e social. Essa discussão se torna crucial diante das intervenções urbanas contra alagamentos.
Mesmo após a COP 30, as obras e promessas não acalmam quem mora perto do rio. Para o cortejo, o concreto não restaura o ecossistema nem equilibra a relação entre a cidade e suas águas.
Nesse contexto, os transbordamentos indicam os efeitos da ocupação de espaços naturais. A resistência do Tucunduba, com sua nascente viva em um quintal urbano, simboliza a permanência da natureza frente às transformações da cidade.
Visagens como Crítica Social e Ambiental Nesse cenário, as visagens — figuras do imaginário amazônico — tomam as ruas.
Elas transformam a arte em crítica social, confrontando quem trata o rio como esgoto. O Cortejo Visagento une o imaginário amazônico a questões ambientais e ao direito à memória.
A edição foca na mensagem de que o Tucunduba não é uma vala ou problema de infraestrutura. Ele é rio, memória e parte essencial da identidade dos moradores do Guamá.
Oficinas Preparam Participantes para o Cortejo A programação do VIII Cortejo Visagento inclui as Oficinas Visagentas.
São atividades práticas para quem deseja criar a própria visagem e participar da manifestação cultural. As oficinas ocorrerão na quarta-feira, 28 de outubro, às 15h.
O local é a Nossa Biblioteca, na Travessa 25 de Junho, número 214, no Guamá. Uritã conduzirá a oficina de máscaras, explorando formas para as personagens.
RomaRio e Lou farão a oficina de figurino. Nela, criarão vestimentas para as assombrações, estimulando a criatividade e o reaproveitamento de materiais.
A iniciativa aproxima a comunidade da criação artística, incentivando a participação coletiva. Personagens dialogarão com o tema, podendo ser inspirados no Rio Tucunduba e nas histórias locais.
Unindo cultura popular, arte e reflexão socioambiental, o VIII Cortejo Visagento reafirma seu valor. Ele valoriza as raízes culturais do Guamá e reconhece o rio como parte viva da história e identidade de Belém.
Serviço Evento: VIII Cortejo Visagento
Data: 31 de outubro Horário da concentração: 18h
Local: Cemitério Santa Izabel, Avenida José Bonifácio, bairro do Guamá, Belém (PA) Informações: (91) 98032-9117 / (91) 98503-9738
Oficinas Visagentas Data: quarta-feira, 28 de outubro
Horário: 15h Local: Nossa Biblioteca, Travessa 25 de Junho, 214, Guamá
Atividades: Oficina de máscaras (com Uritã) e oficina de figurino (com RomaRio e Lou) A programação do evento conta com o apoio do Programa Nacional dos Comitês de Cultura no Pará e do Ministério da Cultura.
O Liberal