A juventude não quer andar para trás

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

Existe um motivo para a mobilização da juventude em defesa da reeleição do presidente Lula (PT) ter sido tão intensa neste segundo turno. Muito se fala sobre o espírito revolucionário, a esperança de mudar o planeta que existe em cada jovem e a necessidade de “cuidar da vida, cuidar do mundo”, como canta Milton Nascimento em “Coração de Estudante”.

Tudo isso, é claro, está presente nas mobilizações democráticas que tomaram o Brasil nas últimas semanas. Mas, na minha visão, a razão para esse engajamento é, de certa forma, mais pragmática.

O jovem com consciência política e social, independentemente de ser de esquerda, direita ou centro, sabe que Flávio Bolsonaro representa o atraso. Juventude é sinônimo de esperança, e a esperança só existe quando há perspectivas de futuro.

A juventude quer um Brasil com emprego, desenvolvimento industrial, justiça social e soberania. O projeto de país apresentado pelo candidato do Partido Liberal (PL), porém, segue na contramão de tudo isso.

A coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, já classificou o modelo de Javier Milei como um “exemplo” a ser seguido. A Argentina, sob esse modelo, enfrenta uma perspectiva de recessão, enquanto a pobreza cresce, as atividades industriais e comerciais perdem força e a população fica cada vez mais desamparada.

No Brasil, a proposta do chamado “tesouraço” de Flávio Bolsonaro pode provocar uma retração de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e ameaçar mais de 2 milhões de empregos, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A ameaça à democracia também representa um perigo para a juventude.

Em livro publicado em 2017, Flávio Bolsonaro elogiou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e negou que tenha ocorrido um golpe em 1964. Durante a ditadura militar, muitos jovens perderam a vida, foram perseguidos, torturados e privados de direitos fundamentais.

As violências cometidas naquele período provocam indignação em qualquer pessoa que preserve um mínimo de humanidade. Na visão de mundo bolsonarista, porém, o sofrimento e o sacrifício de quem lutou contra a ditadura parecem ser tratados como mero “mimimi”.

O ponto central deste texto é que o Brasil não suporta mais retrocessos. Uma parcela significativa do terceiro mandato do presidente Lula foi dedicada à reconstrução do país depois da destruição provocada pelo governo Jair Bolsonaro.

Mesmo diante desse desafio, o Brasil avançou em diferentes áreas. A juventude brasileira merece um horizonte de desenvolvimento, oportunidades e democracia, não a ameaça de ter de reconstruir novamente aquilo que já conquistou.

Para alcançar esse futuro, a luta será sempre necessária. A juventude quer mobilizar sua energia para construir um país mais desenvolvido, ampliar direitos, gerar empregos, fortalecer a indústria, combater as desigualdades e garantir que o Brasil tenha autonomia para decidir seus próprios caminhos.

Quer discutir inovação, ciência, educação, cultura e oportunidades para as próximas gerações. Não voltar a um cenário em que seja necessário sair às ruas para defender o óbvio, como a democracia, a liberdade, os direitos humanos e o respeito à vida.

Seria inadmissível desperdiçar anos de luta tentando recuperar direitos ameaçados ou reconstruir instituições atacadas.  A juventude quer avançar, e não passar a vida inteira impedindo que o país ande para trás! 

“Quero falar de uma coisaAdivinha onde ela andaDeve estar dentro do peitoOu caminha pelo arPode estar aqui do ladoBem mais perto que pensamosA folha da juventudeÉ o nome certo desse amor” “Coração de Estudante”, de Milton Nascimento e Wagner Tiso.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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