Usina nuclear flutuante russa corta emissões de poluentes no Ártico em 80%

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A usina nuclear flutuante Akademik Lomonosov, ancorada em Pevek, cidade de 5.000 habitantes na costa ártica do extremo oriente russo, cortou as emissões brutas de poluentes do aquecimento urbano de 11,64 para 2,281 toneladas. A redução de 80,4%, ou quase cinco vezes, consta do balanço ambiental da unidade operada pela Rosatom, estatal russa de energia nuclear, e mede o efeito da transferência de parte da carga térmica da cidade para os dois reatores da plataforma.

Antes dessa transferência, o aquecimento de Pevek vinha da queima de combustível fóssil, que despejava as 11,64 toneladas na atmosfera de uma das regiões mais frágeis do planeta. Agora a instalação responde pelo calor e pela eletricidade de uma cidade inteira, no litoral do Mar do Leste Siberiano.

A Akademik Lomonosov opera comercialmente desde maio de 2020 e é a única usina nuclear flutuante em funcionamento no mundo. São dois reatores KLT-40S, de 35 megawatts elétricos (MWe) cada, que somam 70 MWe e derivam da propulsão dos quebra-gelos nucleares russos.

Uma cidade inteira no cabo de reboque A capacidade declarada atende um município de até 100 mil pessoas.

A plataforma foi pensada para cobrir parte do buraco deixado pela usina de Bilibino, a primeira central nuclear do Ártico, em processo de desativação, e hoje também sustenta a mineração da zona de Baimskaya. Pevek fica numa das rotas de acesso da Rota do Mar do Norte, corredor que a Rússia tenta transformar em via comercial regular com o derretimento do gelo.

Energia firme e sem fumaça local é o que sustenta presença humana e mineração num ponto onde o inverno ocupa a maior parte do ano. Onze estações vigiam a radiação

O monitoramento ambiental inclui 11 estações automatizadas de radiação, mais quatro instaladas na cidade. Segundo o operador, as medições de emissões atmosféricas, descargas hídricas, impacto no solo e geração de resíduos ficam, em média, abaixo de 10% dos valores máximos permitidos.

Na baía Chaunskaya, onde a plataforma está fundeada, o acompanhamento não registra alterações significativas no ecossistema. A leitura é do próprio complexo nuclear, sem auditoria independente divulgada até agora.

O governador e a prioridade ambiental O governador de Chukotka, Vladislav Kuznetsov, afirmou que “a agenda ambiental é a prioridade número um da nossa região”.

Na mesma declaração, disse que “o Ártico é um território frágil e vulnerável, e temos de trabalhar aqui com atenção especial à natureza, à saúde humana e ao futuro de Pevek”. Dzhumberi Tkebuchava, primeiro vice-diretor geral da Rosenergoatom, braço de operação da Rosatom, afirmou que a usina flutuante “tem grande importância para Chukotka e o Ártico russo”.

Ele afirmou que o sistema de monitoramento de cada central nuclear russa melhora ano após ano. Quatro unidades novas e o mercado de exportação

A Rosatom constrói quatro unidades flutuantes com reatores RITM-200M, de pelo menos 100 MWe cada e vida útil de até 60 anos. As quatro se destinam ao cabo Nagleynyn, em Chukotka, para abastecer a mineração de Baimskaya; a Rosatom também oferece usinas desse padrão para exportação, num mercado disputado por fornecedores ocidentais, chineses e sul-coreanos e marcado por restrições políticas à estatal russa.

A Rosatom é uma das poucas empresas do mundo que controlam a cadeia completa do combustível nuclear, do enriquecimento ao descomissionamento. Isso explica por que o pacote flutuante é oferecido com reator, combustível, operação e manutenção no mesmo contrato.

A comparação de escala mostra o produto. Cada unidade nova gera mais que a Lomonosov inteira, que soma 70 MWe, e o conjunto é montado em estaleiro, não em canteiro de obra convencional.

A conta de Pevek e o limite dela O corte de 80,4% nas emissões não vem de filtro nem de compensação de carbono.

Vem de substituir a queima fóssil por um reator que não lança poluentes atmosféricos durante a operação. O limite está no alcance do número.

A medição é do operador, cobre apenas poluentes locais e não inclui a pegada da construção, do combustível e do rejeito radioativo. Tampouco passou por auditoria de órgão fora da estrutura da Rosatom.

A escala brasileira O Brasil opera Angra 1, com 640 MWe, e Angra 2, com 1.350, e discute a retomada de Angra 3, projetada para 1.405.

A unidade de Pevek, com 70, é módulo para rede isolada, não central de base. É nesse nicho que o modelo interessa a países com litoral e comunidades fora do sistema interligado.

Nos sistemas isolados da Amazônia, a geração depende sobretudo de diesel, combustível caro e poluente. Uma cidade de 5.000 pessoas trocou a fumaça do aquecimento por um reator ancorado no porto e mede o resultado em toneladas.

A próxima conta virá das quatro unidades novas, encomendadas para Chukotka com entrega prevista até 2031.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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