Uber planeja colocar mais de 2 mil carros sem motorista nas ruas até 2027 e anuncia investimento superior a US$ 10 bilhões para ampliar rede de robotáxis em vários países

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A Uber pretende colocar mais de 2 mil carros totalmente autônomos em sua plataforma até dezembro de 2027, quase triplicando a frota de aproximadamente 700 veículos sem motorista esperada para o encerramento de 2026. O plano inclui operações nos Estados Unidos e em mercados internacionais e prevê ampliar o transporte de passageiros sem um condutor ao volante.

A meta foi apresentada pela companhia em 4 de novembro de 2026, durante a divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre. Segundo informações publicadas pelo Olhar Digital, a empresa também está ampliando parcerias para transformar projetos de direção autônoma em serviços comerciais.

O planejamento da Uber estabelece uma expansão de mais de 185% em pouco mais de um ano. A companhia espera encerrar 2026 com aproximadamente 700 veículos totalmente autônomos disponíveis em sua rede e superar 2 mil unidades até o final de 2027.

A previsão foi apresentada pelo CEO Dara Khosrowshahi aos investidores. Segundo o executivo, a prioridade passou a ser a operação comercial da tecnologia, à medida que empresas parceiras deixam a fase de desenvolvimento e avançam para o transporte remunerado de passageiros.

A distribuição da frota também chama atenção. Cerca de metade dos veículos previstos para 2027 deverá operar nos Estados Unidos, enquanto a outra parte ficará em mercados internacionais, conforme informações da teleconferência de resultados da Uber.

A estratégia não exige que a plataforma fabrique todos os carros. A empresa pretende reunir veículos e tecnologias de diferentes fornecedores, utilizando sua estrutura de atendimento, distribuição de corridas e gestão de frotas.

Para ampliar o serviço, os parceiros precisam disponibilizar automóveis equipados com sensores, sistemas de navegação e tecnologias capazes de operar comercialmente nas regiões escolhidas. A tecnologia que a Uber pretende ampliar já está disponível comercialmente em cidades americanas.

Em março de 2025, a empresa iniciou uma operação com a Waymo em Austin, no Texas. Três meses depois, o serviço também passou a funcionar em Atlanta, na Geórgia, mediante uma parceria entre as duas companhias.

Na operação anunciada pela Uber, passageiros que solicitam determinadas categorias de viagem podem receber a opção de um Jaguar I-PACE elétrico equipado com o sistema de direção autônoma da Waymo. O usuário pode aceitar o veículo autônomo ou continuar com uma corrida convencional.

Quando o carro chega, as portas são destravadas pelo aplicativo, que também permite iniciar a viagem e solicitar atendimento. Segundo comunicado publicado pela Uber em junho de 2025, os passageiros de Austin avaliavam as viagens autônomas com média de 4,9 estrelas naquele momento.

A informação se refere à operação local e não representa uma avaliação global dos robotáxis. A expansão desses serviços também mostra como a coleta de dados para veículos autônomos passou a integrar os projetos tecnológicos ligados ao transporte por aplicativo.

Entre os acordos anunciados pela Uber, um dos maiores envolve a fabricante americana de veículos elétricos Rivian. Em 19 de março de 2026, as empresas divulgaram uma parceria que prevê a compra inicial de 10 mil unidades do modelo Rivian R2, com a possibilidade de adquirir outras 40 mil a partir de 2030.

O projeto prevê investimentos de até US$ 1,25 bilhão da Uber na Rivian até 2031. Os aportes estão condicionados ao cumprimento de metas de desenvolvimento e desempenho da tecnologia autônoma.

As primeiras operações comerciais estão previstas para 2028, em São Francisco e Miami. O planejamento contempla uma expansão para até 25 cidades dos Estados Unidos, Canadá e Europa até 2031.

Os números constam do anúncio oficial publicado pelas companhias. Trata-se de uma projeção contratual, e não de uma frota já entregue ou autorizada a circular.

Outro acordo envolve a fabricante Lucid e a desenvolvedora de sistemas autônomos Nuro. Nesse projeto, o SUV elétrico Lucid Gravity será equipado com tecnologia de direção automatizada de nível 4, que permite ao veículo executar a condução sem intervenção humana dentro de condições operacionais previamente definidas.

A parceria divulgada em julho de 2025 prevê a implantação de 20 mil ou mais veículos ao longo de seis anos. A operação em vias públicas apresenta exigências diferentes das encontradas em instalações industriais.

O CPG apresentou o caminhão elétrico autônomo da XCMG, desenvolvido para movimentar cargas em portos e áreas fechadas. Nos robotáxis urbanos, os sistemas precisam lidar com pedestres, cruzamentos, semáforos e veículos conduzidos por pessoas em vias compartilhadas.

A expansão dos robotáxis acontece enquanto a Uber procura atender à demanda por corridas em diferentes mercados. No terceiro trimestre de 2026, a companhia registrou US$ 59,8 bilhões em reservas brutas, crescimento anual de 20%.

O indicador representa o valor total das transações realizadas na plataforma antes dos ajustes contábeis utilizados para calcular a receita. A receita trimestral chegou a US$ 14,8 bilhões, alta de 10% sobre o mesmo período de 2025.

O lucro operacional calculado conforme os princípios contábeis americanos alcançou US$ 1,4 bilhão. Os números foram publicados no balanço financeiro oficial de 4 de novembro.

Apesar do crescimento, a divisão de mobilidade apresentou desempenho inferior ao esperado em alguns mercados internacionais. Segundo reportagem da Reuters, publicada em 4 de novembro, a disponibilidade insuficiente de condutores e a elevação dos preços dos combustíveis pressionaram a operação de transporte de passageiros.

A Uber passou a direcionar recursos para incentivos aos motoristas, tentando ampliar a oferta de viagens. Em mercados sensíveis aos custos dos combustíveis, como Brasil e Índia, a companhia também identificou dificuldades de oferta, conforme comentários apresentados na teleconferência de resultados.

A expansão dos carros autônomos representa outra frente de atendimento à demanda, mas a Uber não anunciou a substituição integral dos motoristas humanos. Sua proposta comercial atual combina veículos convencionais e autônomos, conforme a disponibilidade em cada mercado.

O custo de ampliar o número de robotáxis também entrou nas discussões com investidores. Durante a apresentação dos resultados, a Uber explicou que pretende financiar inicialmente parte da frota com recursos próprios.

A participação de investidores externos deverá ganhar importância quando a operação atingir dezenas de milhares de veículos. A companhia mencionou a possibilidade de ultrapassar 10 mil unidades a partir de 2028, fase em que pretende recorrer a estruturas de financiamento para sustentar a expansão.

A lógica é semelhante à utilizada em grandes frotas comerciais, mas existe uma dificuldade específica: ainda não há um histórico consolidado de valor residual dos robotáxis, parâmetro importante para instituições que financiam veículos. As informações aparecem na transcrição da apresentação aos investidores.

Os acordos também envolvem recursos expressivos. A administração citou compromissos superiores a US$ 10 bilhões no desenvolvimento de seu ecossistema de veículos autônomos, vinculados a diferentes iniciativas e condições contratuais.

Esse montante não deve ser confundido com um desembolso integral já realizado ou com investimento exclusivamente destinado à compra dos 2 mil carros previstos para 2027. Embora o Brasil esteja entre os mercados importantes da Uber, o plano divulgado em 4 de novembro não estabelece uma data para lançar corridas totalmente autônomas no país.

Durante a teleconferência, a empresa citou operações e projetos com parceiros como Waymo, WeRide, Baidu, Zoox, Motional e Nuro. A expansão para 2027 também inclui iniciativas internacionais com outras desenvolvedoras de sistemas de direção autônoma.

A disponibilidade comercial depende das condições de operação em cada cidade e do avanço dos projetos tecnológicos. Por isso, a meta mundial não significa que os veículos estarão acessíveis simultaneamente em todos os países atendidos pela plataforma.

A Uber também pretende aperfeiçoar a experiência dentro do aplicativo, incluindo opções específicas para viagens autônomas conforme aumentem a disponibilidade e a confiabilidade do serviço. Para os passageiros brasileiros, ainda não há anúncio oficial de preço, cidades atendidas ou início das operações.

Também não foi divulgado um calendário de substituição de motoristas por veículos autônomos no país. O próximo passo anunciado pela Uber é alcançar aproximadamente 700 veículos sem motorista em sua plataforma até dezembro de 2026 e superar 2 mil unidades até o final de 2027.

A expansão prevista para 2028 dependerá da entrada de novos parceiros, do financiamento das frotas e da capacidade de manter os serviços comerciais nas cidades selecionadas.

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