247 – Em entrevista concedida à TV 247, o presidente licenciado da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), Ualid Rabah, apresentou uma análise detalhada dos cenários político, econômico e geopolítico. O ativista e analista abordou temas centrais, como a política monetária no Brasil, os desdobramentos das eleições nos Estados Unidos e as implicações do apoio incondicional do governo de Donald Trump a Israel na política global e doméstica.
Iniciando o debate pela conjuntura econômica brasileira, Rabah criticou veementemente a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo ele, o discurso dominante sobre ajuste fiscal oculta o verdadeiro gargalo financeiro do país: o pagamento do serviço da dívida pública ao setor financeiro.
“No Brasil, é um verdadeiro mito se falar em ajuste fiscal sem falar de juros. Quem fala de ajuste fiscal sem falar de juro ou quer dar um golpe na população brasileira ou quer continuar destruindo o Estado brasileiro e sua capacidade de financiar os serviços públicos essenciais”, pontuou Rabah.
Ele lembrou que, enquanto o Estado financia a produção agrícola e a economia real com taxas subsidiadas, capta recursos no mercado a juros elevados, gerando uma sangria no orçamento. O peso geopolítico de Israel e as eleições nos EUA
Ao abordar o cenário internacional e os resultados eleitorais nos Estados Unidos, Rabah destacou a perda de sustentação política de Donald Trump e do Partido Republicano. Para o presidente da FEPAL, a aliança incondicional ao regime de Benjamin Netanyahu e a escalada de conflitos no Oriente Médio tornaram-se um fardo eleitoral insustentável.
Rabah assinalou que o envolvimento em agressões militares na região desencadeou pressões inflacionárias severas e alta no preço dos combustíveis nos EUA, enfraquecendo o lema “América em Primeiro Lugar” perante a própria base conservadora. “Israel é um fardo para o mundo, pelo menos na sua configuração atual de regime e Netanyahu.
A associação incondicional a essa política levou a um desgaste irreversível”, destacou. A mudança de postura também se reflete em dados demográficos e eleitorais mais amplos, com rejeição crescente da juventude e de fatias expressivas do eleitorado norte-americano ao financiamento de conflitos no exterior.
O lobby sionista e a política brasileira Na esfera doméstica, Ualid Rabah denunciou a atuação do lobby sionista nas instituições brasileiras e a proximidade de setores da extrema-direita nacional com o governo israelense.
Ele apontou episódios de cooperação de segurança e compra de armamentos por governos estaduais como exemplos dessa influência no país. Rabah defendeu que o campo democrático e popular no Brasil enfrente o tema com clareza ideológica e coragem política: “Está faltando nesse debate travá-lo com sinceridade e coragem.
Não é possível conciliar valores progressistas e defesa da democracia com o apoio a políticas de ocupação e violação de direitos”.
Brasil 247