Levantamento da Embrapa com 150 produtores mostra que piloto automático, amostragem georreferenciada de solo e monitor de produtividade lideram a adoção, enquanto custo, escala da produção e acesso a conhecimento técnico aparecem entre os fatores associados à incorporação das ferramentas.
A agricultura digital aparece em diferentes níveis entre os produtores de soja pesquisados no estado de São Paulo. O grupo analisado reúne desde usuários de recursos de automação mais frequentes, como piloto automático, até propriedades que adotavam ferramentas menos comuns, como drones e plantio a taxa variável.
O estudo “Adoção de tecnologias de agricultura digital por produtores de soja no Estado de São Paulo”, publicado pela Embrapa Pecuária Sudeste, reuniu informações de 150 unidades de produção distribuídas por 55 municípios paulistas e tomou como referência a safra 2023/24. Entraram na análise amostragem georreferenciada de solo, plantio e aplicação de fertilizantes a taxa variável, monitor e mapa de produtividade, piloto automático, software de gestão agrícola e drones.
O produtor foi classificado como adotante quando utilizava pelo menos uma dessas soluções no período analisado. Dos 150 entrevistados, 118 se enquadravam nessa condição e 32 não utilizavam nenhuma das oito tecnologias.
A pesquisa também mediu a intensidade da adoção a partir do número de ferramentas empregadas em cada unidade de produção. O piloto automático foi a tecnologia mais frequente, utilizado em 84 propriedades, equivalentes a 56% da amostra.
A amostragem georreferenciada de solo apareceu em seguida, presente em 77 unidades, ou 51% do total. O monitor de produtividade foi registrado em 65 propriedades, correspondentes a 43% da amostra, enquanto o software de gestão agrícola apareceu em 61, cerca de 41%.
A aplicação a taxa variável foi utilizada em 44 unidades, aproximadamente 29%. Entre as ferramentas menos frequentes, o mapa de produtividade apareceu em 38 propriedades, cerca de 25% da amostra.
Os drones foram citados por 19 produtores, equivalentes a 13%, e o plantio a taxa variável estava presente em 13 unidades, ou 9%. A diferença entre usar alguma tecnologia e combinar várias delas aparece na distribuição da intensidade de adoção.
Embora 118 produtores utilizassem ao menos uma das oito ferramentas, somente 23, equivalentes a 15% da amostra, adotavam seis ou mais. Também havia diferenças entre o uso de ferramentas relacionadas à coleta de dados e sua aplicação no manejo.
Enquanto 51% dos entrevistados faziam amostragem georreferenciada do solo, 29% utilizavam aplicação a taxa variável; 43% tinham monitor de produtividade, enquanto 25% geravam mapas de produtividade. Os dados mostram, assim, combinações distintas dentro da mesma amostra.
Uma propriedade podia utilizar piloto automático sem recorrer a mapas de produtividade ou taxa variável, enquanto outra reunia instrumentos de medição, gestão e automação entre as tecnologias avaliadas pela pesquisa. A área cultivada com soja apresentou diferença entre os grupos analisados.
Produtores que usavam ao menos uma tecnologia plantavam, em média, 561 hectares, enquanto aqueles que não adotavam nenhuma das oito ferramentas cultivavam, em média, 126 hectares. Escolaridade, experiência no cultivo, perfil mais aberto à inovação e acesso a consultoria privada também apareceram associados ao uso ou à quantidade de tecnologias adotadas nos modelos analisados pelo estudo.
O acesso à assistência técnica também diferiu entre os grupos. Entre os produtores classificados como adotantes, 43% contrataram consultoria técnica na safra 2023/24, percentual que ficou em 9% entre aqueles que não utilizavam nenhuma das oito ferramentas.
O custo foi a barreira mais citada pelos não adotantes, apontada por 76% desse grupo. A escala da produção apareceu em 19% das respostas, enquanto a falta de conhecimento sobre uso ou benefícios das tecnologias foi mencionada por 9,5%.
O mesmo obstáculo também apareceu entre produtores que já utilizavam alguma solução digital. Nesse grupo, 53% citaram o custo como dificuldade, enquanto 18,4% mencionaram falta de mão de obra para operar equipamentos.
Entre esses produtores, 14,3% indicaram a escala de produção como dificuldade e 10,2% apontaram necessidade de conhecimento adicional. Nos modelos do estudo, fatores ligados à estrutura produtiva, experiência, escolaridade e assistência técnica apresentaram associações diferentes conforme a tecnologia analisada.
Os percentuais precisam ser lidos dentro do universo pesquisado. Como não havia uma lista oficial com todos os produtores de soja paulistas, a seleção dos participantes não foi puramente aleatória, e os pesquisadores recorreram a bases de cooperativas e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral de São Paulo.
Por isso, os números descrevem os 150 produtores pesquisados em 55 municípios e a safra 2023/24. O levantamento não apresenta esses percentuais como representação automática de todos os produtores de soja do estado ou como retrato nacional da adoção tecnológica em 2026.
Dentro desse recorte, a pesquisa permite identificar quais das oito ferramentas apareceram com maior frequência e como a quantidade de tecnologias utilizadas variou entre as propriedades. O resultado também separa o uso de pelo menos uma solução da adoção simultânea de um conjunto mais amplo de recursos.
Ao tratar de possibilidades para ampliar a difusão dessas ferramentas, o estudo menciona compartilhamento de tecnologias de maior custo, acesso a crédito e programas de capacitação para produtores e agentes de extensão rural, medidas relacionadas às barreiras de custo, escala e conhecimento identificadas entre os entrevistados.
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