Tarcísio reconhece vitória de Lula, fala em 'força da direita' e prega oposição ao presidente

Tarcísio reconhece vitória de Lula, fala em 'força da direita' e prega oposição ao presidente - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a unidade da direita no país e cobrou uma “oposição vigilante” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao se manifestar pela primeira vez sobre o resultado de domingo. Em um vídeo postado nas redes sociais na terça-feira (27), no momento em que já circulavam rumores da saída do ex-presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, Tarcísio reconheceu a vitória de Lula e instou os eleitores de Flávio a olharem para a frente.

Reeleito no primeiro turno em São Paulo, ele repetiu seis vezes que “a eleição passou”, mas disse que os problemas nacionais continuam existindo e demandam um “projeto de país”. Governo vai encaminhar medidas fiscais ao Congresso

O afastamento de Flávio do Brasil foi interpretado, por interlocutores de Tarcísio, como um cenário que pode favorecer a consolidação do governador como nome para a disputa presidencial de 2030. Esses aliados ressalvam, contudo, que o próprio governador não trata da questão diretamente e descarta romper com a família Bolsonaro.

Um dos interlocutores pontuou que “2030 está muito longe”, mas endossou a avaliação de que uma candidatura presidencial do governador pode ganhar força com uma desorganização do clã. Tarcísio não comentou a saída de Flávio do país.

Consultados, aliados responderam que ele desconhecia o plano, foi surpreendido com as informações e só soube do assunto pelo noticiário. Um auxiliar que falou à reportagem sob reserva disse que, em sua avaliação pessoal, a decisão do ex-presidenciável de cruzar a fronteira seria justificável, endossando a versão bolsonarista de que o Brasil vive quadro comparável a uma “ditadura”, com abusos do Judiciário e ações contra dissidentes políticos.

O governador, segundo relatos, discordou da decisão do aliado de pedir a anulação da eleição e, mesmo tendo acompanhado a apuração com o senador em Brasília, ausentou-se do discurso na noite de domingo (25) em que ele sugeriu questionar o resultado. No dia seguinte, após reunião com a participação de Tarcísio e outros aliados, o senador voltou atrás e afirmou que pediria a cassação da chapa de Lula por abuso de poder político e econômico.

O governador, que apoiou Flávio, emitiu seu posicionamento em um vídeo de pouco mais de 2 minutos, com imagens de simpatizantes de Flávio em atos de campanha. Ele fez um agradecimento aos quase 60 milhões de eleitores que foram “tomados por um sentimento de mudança” e mencionou uma vez o candidato derrotado.

“Obrigado, Flávio, por caminhar com a gente. Foi incrível essa caminhada.

Obrigado a vocês que estiveram na arena, e isso ninguém apaga”, afirmou. Tarcísio também ressaltou o fortalecimento da direita no último ciclo eleitoral, com aumento das bancadas para Câmara dos Deputados e Senado, além da vitória de governadores de oposição ao PT, muitos já no primeiro turno.

Segundo ele, é preciso uma “oposição vigilante” agora. “A direita brasileira recebeu das urnas uma responsabilidade, recebeu força no Congresso e nos Estados.

Agora, é hora de unidade, de uma oposição vigilante, que cobre responsabilidade fiscal, que proponha aquilo que melhora a vida das pessoas e que fiscalize de perto quem governa pelos próximos quatro anos. Porque, se a economia piorar, não vai piorar só para quem votou de um lado, vai piorar para todos os brasileiros”, afirmou.

Ele disse ainda que “o Congresso terá um papel fundamental na sonhada pacificação do país, no aperfeiçoamento do sistema político e no funcionamento das instituições, incluindo o Judiciário”. Tarcísio também afirmou que “o país continua fraturado e dividido” pós-eleição e que isso exige “muita responsabilidade de quem lidera”.

“A eleição passou, mas não passou o desejo de ministérios com gente técnica e séria; de um governo que corte gastos e tire o peso dos impostos das costas do cidadão; de um país que não gaste mais com os juros da dívida do que com o saneamento básico, saúde, educação; de um país que empreende e tira as pessoas da vulnerabilidade; que corte privilégios, antes de pedir sacrifício; que combata o crime de verdade, não só no discurso.

Esse desejo tem nome: chama-se projeto de país.” Ele também disse que a eleição foi marcada por “uso da máquina, programas lançados fora do prazo e interferência do Judiciário”, o que precisa deixar lições.

“Reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos.” Em referência indireta ao “pacote de bondades” de Lula nas semanas anteriores à eleição, com impacto fiscal relevante, disse que “as promessas de campanha precisam ser examinadas com rigor, porque a conta sempre chega para o contribuinte”.

E falou que, no dia seguinte à reeleição de Lula, a situação foi de “investidores saindo [do país], a Bolsa despencando, empresas perdendo valor, o câmbio disparando”. Por fim, afirmou que seu plano é “seguir trabalhando em São Paulo”.

Publicação Original Valor valor.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →