Supermercados vendem mais após fim das bets, aponta Abrás

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O dinheiro que saía do orçamento familiar para as apostas pode estar voltando ao carrinho de supermercado. Essa é a avaliação da Associação Brasileira de Supermercados (Abrás), que identificou crescimento nas vendas de alimentos após a proibição das bets e passou a defender a manutenção da medida.

Segundo a entidade, o varejo alimentar cresceu 6,5% entre 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18 do mesmo mês, na comparação com os períodos equivalentes de 2025. O avanço favoreceu produtos básicos, como arroz, óleo, macarrão e café.

Os números, divulgados antes da audiência pública desta terça-feira (3 de novembro) no Supremo Tribunal Federal (STF), acrescentam outra dimensão à discussão sobre as receitas das apostas: o destino do dinheiro das famílias quando deixa de ser comprometido com jogos. A relação de causa e efeito, porém, ainda não foi demonstrada.

A alta ocorreu depois da proibição, mas os percentuais não permitem calcular quanto desse crescimento foi provocado pela medida. Comida no carrinho

O vice-presidente da Abrás, Márcio Milan, afirmou em coletiva de imprensa, em 29 de outubro, que o comportamento das compras chamou atenção por atingir diferentes regiões e formatos de comércio. A associação identificou o movimento em supermercados, hipermercados, atacarejos e lojas de vizinhança.

A hipótese defendida pelo setor é que parte dos recursos antes destinada às plataformas tenha sido redirecionada ao abastecimento doméstico. Milan também expressou a posição da entidade sobre as apostas: “O supermercado vende qualidade de vida, vende saúde, e o que temos observado é que as bets vendem uma doença social”.

A manifestação ocorreu antes da audiência do STF. Não se trata de uma declaração feita pelo representante da Abrás durante a sessão desta terça-feira.

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O que mudou À Folha de S.Paulo, Milan disse que a entidade comparou o desempenho com o histórico de anos anteriores e procurou identificar mudanças na renda e nos preços que explicassem o resultado.

Segundo a Abrás, as semanas analisadas também antecederam os pagamentos do Bolsa-Família iniciados em 19 de outubro, afastando esse desembolso específico como explicação para a alta registrada até o dia 18. A avaliação do setor desloca o debate para as despesas essenciais.

Na interpretação da associação, restringir as apostas pode liberar recursos para necessidades que competem pelo mesmo orçamento familiar. Essa leitura sustenta a defesa da manutenção da proibição, mas ainda depende de acompanhamento para verificar se o crescimento persiste e qual parcela está efetivamente ligada à mudança.

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O limite dos números O consumo já apresentava expansão antes da retirada das bets do ar.

O indicador mensal de Consumo nos Lares da própria Abrás registrou crescimento real de 2,69% em agosto sobre agosto de 2025, conforme documentos citados pelo colunista Mauro Cezar Pereira, do UOL. A existência de crescimento anterior não exclui um efeito adicional da proibição.

Impede, entretanto, que toda a alta posterior seja atribuída automaticamente ao veto. Também é necessário distinguir os indicadores.

Variação de faturamento, quantidade de produtos vendidos e consumo corrigido pela inflação medem aspectos diferentes e não podem ser comparados como se fossem a mesma série. Para comprovar a transferência de recursos das apostas à alimentação, seria preciso acompanhar quanto deixou de ser gasto nos jogos e qual foi o destino desse dinheiro.

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Debate no Supremo A Abrás foi incluída na audiência por decisão de Luiz Fux, após pedido da Advocacia-Geral da União.

Também passaram a integrar o encontro representantes dos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública. O STF discute os impactos da medida provisória 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa.

Enquanto clubes de futebol e empresas do setor alegam perdas de contratos e receitas, os supermercados defendem que a análise considere o orçamento das famílias e as compras de itens essenciais. O dado apresentado pela Abrás é de crescimento das vendas.

A explicação de que parte do dinheiro voltou das bets para a comida é a hipótese sustentada pela entidade, relevante para o debate, mas ainda sem efeito quantificado. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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