'Só se combate IA com IA', diz presidente da CVM sobre supervisão do mercado

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Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, defendeu a ampliação do uso de inteligência artificial na supervisão do mercado de capitais, diante da utilização da tecnologia para cometer irregularidades. “Só se combate IA com IA”, afirmou Lobo durante evento promovido pela Anbima, ao citar uma frase que disse ter ouvido em viagem recente.

Segundo ele, a autarquia precisa de mais recursos para acompanhar as mudanças. Lobo afirmou que a CVM já recebe informações sobre o uso de IA em tentativas de invasão de sistemas, inclusive por organizações que começam a utilizar os chamados “enxames de agentes”, sistemas de IA que atuam de forma coordenada.

Ele também relatou que participantes do mercado estão recorrendo à tecnologia para apresentar recursos administrativos à autarquia. Segundo o presidente da CVM, a modernização da supervisão depende de uma nova estrutura para processar o volume crescente de dados do mercado.

Lobo afirmou que a autarquia ainda não recebeu os recursos necessários e mantém conversas com outros órgãos públicos para viabilizar os investimentos. A CVM também apresentou ao Ministério da Fazenda e ao Supremo Tribunal Federal (STF) a necessidade de contratar 1.200 funcionários nos próximos quatro anos.

Ao abordar a tokenização de ativos, Lobo afirmou que o regulador precisa discutir os riscos e benefícios das novas tecnologias sem comprometer os mecanismos de proteção já existentes. Segundo ele, informações preliminares indicam que as novas estruturas de investimento em tokens não estão sendo diretamente afetadas pelos ataques registrados nas últimas semanas.

Ele não citou nomes, mas provavelmente se referiu aos casos da Binance e do Mercado Bitcoin, que foram hackeadas recentemente. O presidente ressaltou, porém, que a autarquia ainda receberá mais informações sobre esses episódios.

Lobo também defendeu que a CVM avance rapidamente na regulação dos mercados preditivos no Brasil, que, segundo ele, não devem ser confundidos com as plataformas de apostas esportivas, também chamadas de "bets". O presidente citou a experiência dos Estados Unidos, onde a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) atua na regulação desses contratos, e afirmou que esses instrumentos podem ampliar o acesso a operações financeiras.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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