A cantora Simone Mendes, de 42 anos, afirmou que retirou cerca de 4 kg de pele das coxas após perder aproximadamente 30 kg. A revelação foi feita nas redes sociais, depois de uma consulta com o médico responsável pela cirurgia.
Simone tinha lipedema, uma doença vascular e inflamatória crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura em determinadas regiões do corpo. Piriforme: Zé Felipe revela diagnóstico de síndrome após sentir fortes dores nos glúteos
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Fiquei chocada! Nem eu sabia que eu tinha uma quantidade de pele tão gigantesca — disse a cantora. Simone viveu uma questão comum após grandes perdas de peso: a flacidez acentuada, que pode persistir mesmo depois do emagrecimento e provocar desconforto físico.
O lifting de coxas, optado por ela, também chamado de cruroplastia, procedimento cirúrgico que remove o excesso de pele da região, é uma possibilidade nesses casos. Segundo o cirurgião plástico Marcelo Hanato, membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a capacidade de retração da pele pode ser comprometida quando ela permanece distendida por muito tempo.
— As fibras de colágeno e elastina sofrem alterações decorrentes da distensão contínua, comprometendo a capacidade de retração da pele. Idade, genética e qualidade dos tecidos também influenciam — explica.
Quando a cirurgia é indicada? O lifting de coxas pode ser indicado quando há excesso significativo de pele, especialmente se a sobra provoca assaduras, atrito entre as pernas ou outros desconfortos.
A decisão depende de uma avaliação médica individualizada, que considera o grau de flacidez, as condições de saúde do paciente e suas expectativas em relação ao resultado. A prática de exercícios físicos ajuda a fortalecer a musculatura e melhorar o contorno corporal, mas não elimina grandes excessos de pele.
Procedimentos não cirúrgicos, por sua vez, tendem a ter resultados limitados nos casos de flacidez mais acentuada. A cirurgiã plástica Valéria Destéfani, também membro da SBCP, explica que a cruroplastia consiste na retirada do tecido excedente.
A localização e a extensão das incisões variam conforme a quantidade de pele a ser removida. Em casos menos extensos, os cortes podem ficar próximos à virilha.
Quando há maior excesso de tecido, pode ser necessária uma incisão vertical ao longo da parte interna das coxas. Quais são os riscos do lifting de coxas?
Como qualquer cirurgia, o procedimento apresenta riscos. Entre as possíveis complicações estão infecção, hematomas, acúmulo de líquidos, abertura dos pontos, alterações de sensibilidade e trombose.
As cicatrizes são permanentes, embora possam ficar menos aparentes com o passar do tempo. Por isso, a indicação exige uma avaliação criteriosa dos benefícios e dos riscos, além de expectativas realistas sobre o resultado estético.
O paciente também precisa considerar o período de recuperação. O tempo varia conforme a extensão da cirurgia e a evolução clínica.
Em geral, o retorno ao trabalho administrativo pode ocorrer entre duas e três semanas após o procedimento. Já a retomada de exercícios físicos intensos costuma ser liberada depois de seis a oito semanas, sempre conforme a orientação do cirurgião.
O resultado é definitivo? A retirada do excesso de pele pode proporcionar uma melhora duradoura no contorno das coxas, mas não impede mudanças naturais do corpo ao longo dos anos.
— A retirada do excesso de pele proporciona uma melhora duradoura, mas não interrompe o envelhecimento natural dos tecidos — afirma Hanato. O envelhecimento e grandes oscilações de peso podem levar ao reaparecimento da flacidez.
Manter o peso estável e seguir as recomendações médicas durante o pós-operatório são medidas importantes para preservar os resultados. Qual é a relação entre lipedema e excesso de pele?
Embora possam coexistir, o lipedema e a flacidez após o emagrecimento são condições diferentes. O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de tecido adiposo, geralmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços.
Pode estar associado a dor, sensibilidade e facilidade para o surgimento de hematomas. Já o excesso de pele está relacionado, entre outros fatores, à perda de elasticidade dos tecidos, inclusive após grandes emagrecimentos.
A retirada de pele, isoladamente, não trata o lipedema. O planejamento cirúrgico deve levar em conta as características da doença e as necessidades de cada paciente, com avaliação de profissionais habilitados.
O Globo