Sem eleitos no Piauí, PL tenta conter força do PT

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Fonte da notícia: Valor Valor

Na contramão do desempenho registrado no país pelo PL no primeiro turno, no Piauí o partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) não elegeu representantes. O Estado foi a única unidade da Federação em que o partido, pela segunda eleição nacional consecutiva, não somou votos suficientes para eleger deputados estadual, federal ou senador. Sétimo Estado mais populoso do Nordeste, com 3,3 milhões de habitantes, o Piauí manteve no primeiro turno o domínio do PT. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu sua maior votação, com 70,99% dos votos válidos, quase o triplo de Flávio (24,09%). Dos dez municípios em que Lula registrou seu maior percentual, cinco ficam no Estado. Em Bonfim do Piauí, Lula chegou a 88,73%. Na disputa ao governo, Rafael Fonteles (PT) foi reeleito com 70,9%, desempenho melhor que o registrado em 2022, quando teve 57,17%. O resultado confere ao PT o comando do Piauí pela quarta vez seguida - além do governo Wellington Dias, eleito e reeleito em 2002 e 2006. O adversário mais competitivo de Fonteles foi Joel Rodrigues (PP), que somou 27,54% e tinha o PL na coligação. Antigo PR, o Partido Liberal voltou à cena partidária em 2019 e se fortaleceu com a filiação do então presidente Jair Bolsonaro, em 2021. A despeito do crescimento da legenda desde então no país e também no Nordeste, no Piauí o PL pouco avançou. “No Piauí, o PR era uma sigla governista, integrada ao bloco liderado pelo PT. Quando o partido virou o principal veículo do bolsonarismo, permanecer nele significava deixar a base do governo estadual, e seus parlamentares saíram”, relembra o cientista político Vitor Sandes, professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Segundo Sandes, a força da coalização formada pelo PT, MDB e PSD reflete-se também nos municípios, com a maioria das prefeituras liderada por essas legendas - o PL não está em nenhum dos 224 municípios. Aquelas legendas também terão a maioria das dez vagas a que Piauí tem direito na Câmara - Casa onde o PL terá inéditos 121 lugares a partir de 2027. Na oposição, o destaque no Estado é do PP, mas que nessas eleições sofreu derrota importante com o senador Ciro Nogueira, que não se reelegeu - as duas vagas do Senado ficaram com MDB e PSD. Sandes diz que o contraponto à hegemonia governista está na capital do Estado, que nunca elegeu um prefeito filiado ao PT. Mesmo em Teresina, o desempenho do PL é tímido. O partido elegeu um vereador em 2020 e um em 2024 entre as 29 cadeiras disponíveis. O desempenho da sigla no Piauí contrasta também com o restante do Nordeste, onde Lula tradicionalmente se sai melhor. Nos demais oito Estados, o PL elegeu ao menos dois deputados estaduais (a exemplo de Alagoas e Sergipe). Na Bahia, o mais populoso da região, o PL terá sete nomes na Assembleia Legislativa, a terceira maior bancada, e quatro federais. Em Pernambuco, serão três estaduais e dois federais. No Maranhão, o PL elegeu a segunda maior bancada da Assembleia, com sete eleitos, mesmo número no Rio Grande do Norte. A exceção é o Senado, Casa em que o partido não terá representantes do Nordeste. Para Vitor Sandes, o desempenho do PL no Piauí reflete o histórico do partido, da época como PR, sem força suficiente para fazer frente às legendas já consolidadas e de perfil governista. “Também é importante levar em conta o próprio eleitorado, que historicamente, pelo menos de 2002 para cá, tem privilegiado partidos mais alinhados ao lulismo”, afirma. Presidente do diretório do PL no Piauí, Tiago Junqueira disputou uma das vagas ao Senado nessas eleições. Ele terminou em quarto lugar, com 8,85% dos votos. Há um ano e meio no comando do partido, Junqueira diz que, até então, o PL era um “puxadinho do Centrão” e apenas no último ano assumiu a agenda da direita. Segundo ele, já houve avanços. “Em 2022, Jair Bolsonaro teve 406 mil votos no primeiro turno e Flávio teve 517 mil. Um aumento de 27%. Foi o segundo melhor resultado do Nordeste, ficando atrás apenas do Ceará”, diz. Além do quadro partidário no Estado, Junqueira acredita que o perfil de parte do eleitorado somada à força da máquina pública favorece o PT. “Parte do interior do Estado é muito pobre e ainda se vota com o bolso, infelizmente. Apesar de as pessoas estarem clamando por água, continuam votando naqueles que as deixam nessa situação por décadas”, diz o dirigente, que reclama de compra de apoio de lideranças e da disseminação de fake News, como a ameaça do fim de programas sociais se o PL vencer. O deputado estadual reeleito Fábio Novo, presidente do diretório do PT no Piauí, rebate as acusações. Segundo ele, o bom desempenho do PT e das siglas aliadas é resultado de políticas públicas bem-sucedidas. “Como se atribui a uma pessoa receber quase 71% dos votos se não for por uma gestão de resultados?”, afirma, ao defender a reeleição de Rafael Fonteles. Entre os exemplos de boas práticas, Novo cita o fato de todas as escolas da rede do Estado de ensino médio funcionarem em modelo integral, além de ações na segurança pública. “Nós conseguimos fazer algo que a esquerda não tinha, e não tem ainda, que é um olhar com prioridade para a questão da segurança pública. O PT sempre foi muito tímido de tratar essa bandeira”, diz. Na reta final do segundo turno, os dirigentes querem ampliar a votação de Lula e Flávio no Piauí. A meta do PL é ultrapassar 600 mil votos. Flávio não visitou o Estado na campanha. O candidato a vice Alfredo Gaspar (PL) foi três vezes e é aguardado novamente antes de domingo. No sábado (17), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) liderou o “Bloquinho 22”, em Teresina. Para 2028 e 2030, Junqueira conta com a vitória de Flávio e do desempenho dos recém-eleitos para alavancar a sigla. “Para devagarinho endireitar o Nordeste.”

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