Secretário de Segurança no MA é afastado após áudios em que pede prisão de eleitores de Lula

Secretário de Segurança no MA é afastado após áudios em que pede prisão de eleitores de Lula - Foto
Fonte da notícia: Carta Capital Carta Capital

James Mota, que comandava a Segurança de Barra do Corda, teria incentivado policiais a prender eleitores do PT para intimidar apoiadores O secretário de Segurança Pública de Barra do Corda, no Maranhão, o sargento da Polícia Militar Antonio James Mota da Silva, foi afastado do cargo após a divulgação de áudios em que pede a policiais que prendam eleitores de Lula e militantes do PT.

Nas gravações, ele faz referência a pessoas que distribuíam material de campanha do presidente e sugere que prisões poderiam provocar medo entre outros apoiadores. O caso veio a público na quinta-feira 22, a três dias do segundo turno da eleição presidencial.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), determinou o afastamento e a abertura de uma investigação. O prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles (MDB), também anunciou que Mota deixaria a função até o encerramento do pleito.

Em um dos áudios divulgados, o secretário afirma: “Vamos botar esses petistas no lugar deles. Vamos botar para prender”.

Na sequência, diz que a prisão de uma pessoa na cidade ou em um povoado poderia fazer outros eleitores ficarem com medo. Em outra gravação, relata ter confrontado pessoas que distribuíam santinhos de Lula e convoca os policiais: “Bora para cima, meu filho”.

As declarações foram denunciadas pelo vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT). A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral, pedindo investigação sobre possíveis ameaças, intimidação de eleitores e crimes eleitorais.

Na representação, a federação afirma que os áudios indicam uma possível tentativa de mobilizar agentes de segurança contra pessoas identificadas por sua preferência política. O documento sustenta que as referências à prisão podem servir como justificativa para abordagens e constrangimentos a adversários.

A federação requer ainda a apuração de possível calúnia eleitoral, citando uma declaração atribuída ao secretário segundo a qual “quem for PT é ladrão também”. Os partidos pedem análise urgente de medidas preventivas para assegurar o livre exercício do voto.

A portaria assinada pelo prefeito Rigo Teles determina o afastamento de Mota a partir de 22 de outubro até o encerramento do pleito. Em manifestação, a prefeitura reprovou declarações “contrárias à democracia e ao livre exercício do voto” e afirmou que os eleitores poderão votar com tranquilidade, independentemente de sua preferência política.

Brandão, por sua vez, classificou tentativas de intimidar eleitores como inaceitáveis. Barra do Corda tem 63.831 eleitores, dos quais 61% votaram em Lula no primeiro turno.

CartaCapital não conseguiu encontrar uma forma de contato com o secretário. O texto será atualizado se houver manifestação.

Vinícius Nunes Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes.

Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News. Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo.

Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global. Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Publicação Original Carta Capital cartacapital.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →