Nas faculdades privadas de São Paulo, esquerda e direita se mobilizam em série de atos antes do segundo turno

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Política não era dos assuntos mais populares nas faculdades privadas de São Paulo, pelo menos até o primeiro turno das eleições presidenciais. Tão logo saiu o resultado, alunos e centros acadêmicos de esquerda ajudaram a organizar o ato espontâneo que lotou a avenida Paulista, no dia 11, junto da União Nacional do Estudantes (UNE) e das universidades públicas.

Nos dias seguintes, outros "sub-atos" pipocaram em instituições privadas da cidade — e despertaram reações no campo oposto, que também passou a organizar manifestações. Instituições como PUC, Mackenzie, Insper, Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) viram engrossar os grupos organizados de WhatsApp de ambos os lados do espectro político.

Nesta quinta-feira (22), foi a vez dos atos da esquerda. A manifestação teve início às 18h30 com a concentração de centenas de pessoas em frente à Uninove, na Barra Funda, que seguiram em caminhada pela Rua Cardoso de Almeida rumo ao TUCA, Teatro da PUC-SP, em Perdizes.

O ato em frente teve início às 20h e foi organizado por alunos da FGV, ESPM, Belas Artes e Faculdade Paulus de Comunicação. Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda; Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente; as vereadoras paulistanas Luana Alves (PSOL) e Luna Zarattini (PT); a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL), e a filósofa e escritora Marilena Chaui foram alguns dos presentes.

Os manifestantes carregavam cartazes, faixas e bandeiras pedindo voto a Lula, com frases como "O filho teu não foge à luta". Os gritos de “ole ole ole olá Lula Lula” e “Eu acredito” também acompanhavam o ato.

— Flávio Bolsonaro gabaritou no Enem do crime, então eu acho que ele não quer um mandato, ele quer um habeas corpus — alegou Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato derrotado ao governo de São Paulo, em uma tirada de educação. As mobilizações se iniciaram de forma orgânica, conta a diretora de universidades privadas da UNE, Giovanna Pignataro.

Nas semanas após o primeiro turno, alunos de diferentes universidades começaram a passar de sala em sala para convidar para os atos. Com a mobilização aquecida, a adesão furou a bolha das universidades da elite e ganhou adeptos em instituições mais acessíveis financeiramente, como a Uninove.

— Foi acendendo a luz para a UNE de que os alunos estariam dispostos a entrar nessa batalha de forma mais incisiva em universidades como a Uninove — diz Pignataro. O diretório dos estudantes da Uninove passou a se organizar de forma mais incisiva em prol da reeleição de Lula e viu mobilizações em diferentes campi da universidade, como o do Paraíso, na Zona Sul, e o da Barra Funda, na Zona Oeste, de onde partiu a passeata desta quinta.

— A gente começou a mobilização no dia 5, depois da derrota no primeiro turno. Partiu de um Instagram de apoio dos estudantes da Uninove ao Lula.

Enfrentamos resistências e críticas pelo posicionamento, em especial de alunos de cursos como medicina — diz Nicolas Cerqueira, estudante das graduações de direito e tecnologia em segurança pública e vice-presidente do diretório dos estudantes da Uninove. A estudante de direito da FGV, Nina Souto, conta que apesar da faculdade em que ela estuda ser de elite, a mobilização política estava praticamente ausente entre o corpo estudantil até o resultado do segundo turno.

— Nós reativamos um coletivo criado na eleição de 2022, com o objetivo de lutar pela democracia, e entender o nosso papel como estudantes de uma universidade de elite — conta Nina. Ato bolsonarista

Estudantes de direita das principais universidades particulares de São Paulo se articularam para a realização de um ato em frente ao Insper no dia anterior, em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação teve início às 18h com a concentração de centenas de pessoas na rua, com a presença da Polícia Militar limitando a passagem de carros pelo trecho.

Mesmo com a confirmação de Lucas Pavanato (PL) e Eduarda Campopiano (PL), eleitos deputados federal e estadual, respectivamente, com votações recordes este ano, além do empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB), nenhum deles compareceu ao ato. O deputado estadual Lucas Bove (PL) esteve presente e promoveu uma videochamada da multidão com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que comemorou a mobilização dos estudantes.

Bove ainda incentivou o coletivo a virar votos e os parabenizou por se posicionarem. – Para ter um futuro digno é preciso ter coragem – disse.

Os manifestantes carregavam cartazes com frases como “recuar petista recuar” e “Faltam 4 dias para aposentar o PT”. Camisetas com estampas de “Anti Petista Brasil Club”, “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” também estavam presentes, acompanhadas de gritos de apoio à Flávio.

A mobilização reuniu estudantes de diferentes instituições particulares em torno do apoio ao candidato. Inicialmente, o ato estava marcado para ocorrer no campus da PUC, mas foi alterado por "questões de segurança", como divulgado nas redes sociais da "direita puquiana".

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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