A safra 2027/28 de cana deve ser mais açucareira do que a atual no centro-sul do Brasil. É o que prevê o banco holandês Rabobank.
A produção da commodity deve aumentar 14%, de 37,4 milhões para 42,6 milhões de toneladas, projetou a instituição, nesta quarta-feira (4/11). “A safra global fechou com déficit.
A safra que vem deve ser mais açucareira porque o mercado está oferecendo preços que são muito bem-vindos. A fixação está andando e isso tem sido um salvo conduto para a safra que vem”, disse o analista do Rabobank, Andy Duff.
Ele explicou que os números de produção estão abaixo do que se esperava meses atrás. Mas o mercado demorou para perceber essa diferença.
Quando percebeu, os preços da commodity na bolsa de Nova York dispararam, mantendo-se entre os 18 e 19 centavos de dólar por libra-peso. O aumento da oferta no Brasil, no entanto, não será suficiente para evitar um novo déficit de oferta global de açúcar.
Na projeção do Rabobank, esse número deve aumentar na safra 2027/28 para 2 milhões de toneladas no mundo. Na atual, a estimativa é de 400 mil abaixo da demanda.
Os preços, que, na avaliação do banco holandês, devem se acomodar em 16 centavos de dólar por libra-peso até o fim deste ano, podem se manter entre 17 e 19 centavos por libra no ano que vem. “A produção da Índia está sob incerteza hídrica e há dúvidas sobre a capacidade de expansão.
A Tailândia vai perder área em função do aumento de custos com fertilizantes e de culturas alternativas, como a mandioca, que é mais interessante que a cana”, disse Duff. No Brasil, o Rabobank projeta avanço na moagem de cana, de 630 milhões na safra 2026/27 para 655 milhões de toneladas na temporada 2027/28.
As chuvas em regiões produtoras, que causam redução da atividade das usinas agora, favorecem a produtividade da próxima colheita. Duff destacou ainda que a previsão é de que sobrem de 20 milhões a 40 milhões de toneladas de cana bisada (remanescente de uma safra para a seguinte), que devem ser processados já durante o próximo ciclo.
Etanol A produção de etanol de cana-de-açúcar deve ter um crescimento mais “trivial” neste cenário, disse Duff.
O Rabobank projeta uma expansão de 26,6 bilhões para 26,8 bilhões de litros. A maior expansão de oferta do biocombustível deve vir do milho: de 10,5 bilhões para 13,1 bilhões de litros.
“Tem muitos projetos de etanol de milho para começar no ano que vem. Muita capacidade vai entrar em serviço e estamos projetando um aumento expressivo para a safra que vem”, disse.
Duff destacou ainda que a guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo, provocou o que chama de intervenções no mercado, com as subvenções a preços de combustíveis no Brasil. A expectativa dele é de que haja uma correção de preços caso o conflito acabe.
Globo Rural