Encontro discutiu rumos do próximo governo, mas não apresentou medidas concretas para as contas públicas; Guido Mantega participou da reunião O presidente Lula (PT) voltou a reunir aliados e integrantes da equipe econômica para discutir os rumos da economia no próximo governo, mas o encontro desta quinta-feira, 5, terminou sem anúncios concretos sobre mudanças na política fiscal ou medidas para recuperar a confiança do mercado.
Entre os participantes estavam ministros, ex-ministros e economistas que compartilham críticas à atuação do Banco Central e à política de juros. Uma das avaliações presentes na reunião é que a taxa básica de juros representa o principal entrave ao crescimento econômico.
A partir desse diagnóstico, os participantes defendem uma redução dos juros como caminho para estimular a atividade, sem que isso necessariamente exija um ajuste mais contundente nas contas públicas. A discussão ocorre em meio à expectativa sobre a composição da equipe econômica do próximo mandato e à definição de medidas para a condução da política fiscal.
Na saída do encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não existe uma fórmula pronta para resolver os problemas econômicos e indicou que eventuais anúncios ficarão para depois das viagens internacionais de Lula. A presença do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega também chamou a atenção.
Mesmo após sua saída do comando da pasta, Mantega continua próximo de Lula e participa das discussões sobre a política econômica. O ex-ministro foi associado a pagamentos milionários do Banco Master, relação que também colocou sua atuação nos bastidores sob escrutínio.
Mantega é um dos críticos mais frequentes da condução da política monetária pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A ausência do chefe da autoridade monetária no encontro contrasta com a participação do ex-ministro, que defende mudanças na orientação econômica do governo.
Outro nome ausente foi o do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que chegou a ser citado como possível opção para comandar o Ministério da Fazenda no próximo mandato. Sua ausência alimenta dúvidas sobre a composição da futura equipe econômica.
O movimento também reforça a percepção de que a definição do próximo ministro da Fazenda não necessariamente representará uma mudança na condução da economia. A avaliação entre interlocutores é que as principais decisões continuarão concentradas em Lula, que pretende manter a palavra final sobre os rumos da política econômica.
O Antogonista