Ao justificar a urgência de medidas climáticas, a ex-ministra do Ambiente Marina Silva (Rede) afirmou nesta terça-feira (3/11), em entrevista coletiva de apresentação pela presidência da COP30 dos Mapas da Caminho, que a redução de 71% do desmatamento no Brasil, a partir de 2023, evitou prejuízos de R$ 182 bilhões à economia brasileira, com benefícios sobretudo para o agronegócio.
Segundo ela, a contribuição do país, somada à da Colômbia, influenciou uma queda de 15% no desmatamento global. Crise do petróleo deixa mercados em ebulição, e o JOTA cobre o que está em jogo para a energia.
Entenda como as marcas podem participar “Problema evitado, ninguém vê.
Se a gente não topa, não reclama da topada, correto? Mas se a gente desviou a pedra. E o que a gente faz o tempo todo, com redução de desmatamento, de emissão, é evitar uma série de outras topadas”, disse Marina Silva.
Apesar dos resultados, destaca a ex-ministra, o Brasil continua exposto a eventos climáticos extremos e precisa fazer mais. Episódios no Rio Grande do Sul, em São Sebastião e em Ribeirão Preto ilustram os impactos já enfrentados pelo país.
Ao todo, 2.095 municípios estão sujeitos a esses fenômenos, e mais de um milhão de pessoas foram afetadas em São Paulo. Embora as projeções de aquecimento global tenham melhorado, os compromissos atuais dos países ainda não são suficientes para evitar as consequências mais graves das mudanças climáticas.
E esse é um dos recados contidos nos dois Mapas do Caminho divulgados nesta terça-feira (3/11) pela pela presidência da COP30. Os documentos, que concluem em boa medida o ciclo de um ano de presidência brasileira, serão apresentados oficialmente na COP31 este mês em Antalya.
É nesta ocasião que o Brasil passará o bastão aos turcos. A ideia ali é amarrar todos os acordos firmados por consenso às medidas de implementação.
“O que nós temos pela frente é quais são os aceleradores de ações concretas e reais que podem ser feitas para evitar a catástrofe que já está acontecendo”, afirma Marina Silva. As projeções de temperatura global passaram de um cenário inicial de aquecimento de 4°C para 3,8°C, conforme as NDCs anteriores, e chegaram a 2°C caso os compromissos atuais sejam plenamente cumpridos, o que é visto de forma positiva, mas ainda está longe do ideal.
A avaliação do atual ministro de Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, é de que o resultado até aqui, deve ser visto de maneira positiva, mas como “um copo meio cheio e meio vazio”. “Há progresso, mas ele não basta para evitar os efeitos mais graves da crise climática, especialmente diante da meta de limitar o aquecimento a 1,5°C”, afirma.
Segundo a CEO da COP30, Ana Toni, as evidências científicas, embasadas em informações cada vez mais precisas e atualizadas sobre a evolução do clima, são de que as mudanças climáticas estão ocorrendo de forma mais rápida e intensa do que o esperado, exigem justamente respostas mais velozes e abrangentes.
Compromissos mais ambiciosos Apesar das limitações e de um contexto geopolítico mais conturbado do que nunca, o processo internacional de negociação climática é considerado eficiente.
As Conferências das Partes (COPs) e o Acordo de Paris têm contribuído para que os países apresentem metas de redução de emissões cada vez mais ambiciosas por meio de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), relembra Ana Toni. O avanço das metas é apontado como um sinal de que o sistema multilateral está funcionando.
Ao mesmo tempo, a distância entre os compromissos assumidos e o resultado necessário para conter o aquecimento global demonstra que é preciso intensificar a implementação. A agenda internacional, porém, enfrenta dificuldades.
O financiamento climático e as medidas de adaptação perderam força, em um contexto influenciado pela política dos Estados Unidos e por conflitos globais, incluindo guerras. Ainda assim, os participantes engajados na agenda reconhecem os avanços obtidos.
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Os Mapas do Caminho são apontados como instrumentos para transformar compromissos climáticos em ações estruturadas. Desenvolvidos para setores específicos de emissão, como energia e eletricidade e desmatamento e florestas, eles permitem que os países organizem suas estratégias de acordo com suas realidades nacionais.
A escala e a velocidade são elementos centrais nesse processo. O tempo e a lentidão na execução das políticas são considerados alguns dos maiores obstáculos para enfrentar as mudanças climáticas, diante da rapidez com que os impactos vêm se intensificando.
A expectativa é que novos mapas, voltados ao desmatamento e aos combustíveis fósseis, sejam lançados na Turquia. A perspectiva do Global Stocktake (GST), por sua vez, é vista como uma contribuição efetiva do Brasil para o avanço da agenda climática internacional.
“O nosso pior inimigo é a velocidade, o tempo”, ressalta a CEO da COP30, acrescentando: “Tomara que a onda de mapas do caminho pegue”.
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