Ambos são celebrados na mesma data, dia 2 de novembro. Porém ao olhar para fotos e vídeos parecem totalmente diferentes.
O Dia de Finados e o Dia de Los Muertos possuem uma ideia e origem até mesmo similar, de lembrança daqueles que já morreram. No entanto, seguem caminhos diversos quanto ao sincretismo religioso e mistura cultural para falar sobre os mortos.
Comparando apenas como Finados é visto no Brasil e diretamente com o México, ambos os países são profundamente católicos em suas origens coloniais. Não a toa, mais da metade da população brasileira se considera católica e, segundo o último censo, 77% dos mexicanos seguem essa religião.
Apesar disso, o dia mudou pela relação cultural dos dois países. Entenda as diferenças
Cemitério de São Paulo durante o Dia de Finados. Klauson Dutra/CBN
O Dia de Finados tem origens bem cristãs, sendo estabelecido como padrão a partir do final do século X. Em 998 d.C., o monge francês Odilo de Cluny, da Abadia de Cluny, determinou que o dia 2 de novembro deveria se tornar um padrão para que os mosteiros de toda Igreja Católica rezassem pelos fiéis já mortos.
A data foi estabelecida nesse momento, mas se baseia em uma tradição da Igreja advinda ainda do período do Império Romano, quando cristãos realizavam orações para os mortos, em especial aqueles considerados mártires. Na maior parte das vezes, eles eram enterrados em catacumbas embaixo da terra em Roma.
A celebração dos mortos, claro, não é algo apenas do catolicismo, já visto nas religiões antigas, como nas gregas e romanas, por exemplo. Na religião grega havia um grande rito com choro para lembrança dos mortos.
Já o Dia de Los Muertos possui a mesma origem, porém traz elementos de tradições e celebrações sobre os mortos dos maias e astecas. Nessa tradição, a morte era uma passagem e não deveria ser lembrada com tristeza apenas, mas também como forma de alegria.
Por isso, a festa tem menos a ideia de silêncio e luto e é mais colorida. Ela celebra a vida e a ideia de reencontro com os ancestrais.
Velas em homenagem aos mortos no Dia de Los Muertos no México. Reprodução/Wikimedia Commons
São comuns velas e rezas, mas também grandes paradas, danças, humor, apresentações teatrais, muita comida e vinho. Em casa, normalmente são montados altares com oferendas trazendo o que o falecido mais gostava.
Ruas enfeitadas e as famosas calaveritas, ou caveiras de açúcar, são mais comuns de serem vistas nas festas pelas ruas. Outra diferença é que, enquanto Finados se concentra em 2 de novembro, o dia de Los Muertos começa no dia 31 de outubro, com festas até o dia 2.
Normalmente há uma divisão, com o dia 1 marcado pela memória das crianças mortas, enquanto o dia 2 dos adultos. Escolha da data pode ter relação com ritual pagão
O Cemitério do Bonfim, o mais antigo BH, recebe centenas de visitantes neste Dia de Finados Débora Costa
Apesar disso, a data exata da escolha é motivo de discussão. Mas os historiadores acreditam na relação, assim como boa parte das tradições cristãs, com antigas questões de religiões pagãs.
Entre os dias 31 de outubro e 1 de novembro era celebrado o Samhain na religião celta antiga, na qual o mundo dos vivos e mortos interagia e não havia impedimentos da passagem de um lado para o outro. Aliás, alguns acreditam que o Samhain tenha sido a origem da ideia do Halloween contemporâneo, junto com outros rituais pagãos de colheita do período da antiguidade.
Tentando transformar em algo cristianizado ao longo do tempo, foi estabelecido no século IV o Dia de Todos os Santos neste mesmo 1º de novembro. Passando o dia seguinte, aquele após o fechamento desse 'portal', em uma lembrança dos mortos, estabelecendo como Dia de Finados.
CBN