A eleição presidencial terminou, mas o confronto político entre PT e PL continua produzindo episódios de tensão no Amazonas. Desta vez, o palco foi o plenário da Assembleia Legislativa, onde os deputados Sinésio Campos (PT) e Débora Menezes (PL) protagonizaram hoje (quarta-feira, 28/10) uma discussão que ultrapassou o conteúdo de um projeto de lei e alcançou a polarização nacional.
A disputa começou em torno da proposta de Sinésio para reconhecer instrumentos sagrados dos povos indígenas e das comunidades de terreiro como patrimônio cultural do Amazonas. O debate, inicialmente concentrado na constitucionalidade da matéria, ganhou contornos ideológicos quando os parlamentares passaram a questionar as posições políticas uns dos outros.
A discussão chegou ao ponto de provocar uma observação da deputada Joana Darc, eleita para a Câmara dos Deputados. “Estou me sentindo lá em Brasília, presidente”, comentou a parlamentar, enquanto o plenário caminhava para o encerramento por falta de quórum.
A frase resumiu o ambiente da sessão: a Assembleia do Amazonas parecia reproduzir os confrontos que marcam a política nacional. Sinésio leva Lula e a fuga de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ao debate
Sinésio Campos não se limitou à defesa jurídica do projeto. Em seu pronunciamento, o deputado petista fez referências à eleição presidencial e à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Sabe por que que o Lula ganhou a eleição? Ele ganhou, sabe por quê? Convenceu aqueles que estavam indecisos”, afirmou. O deputado também criticou colegas que haviam abandonado o plenário durante a discussão, associando o comportamento deles à fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, como caracterizou o episódio em sua provocação.
“Se tem deputado fujão que vem para cá votar, ou então pegue o avião e vá lá para os Estados Unidos também”, disparou. A referência levou para dentro da Assembleia a controvérsia envolvendo a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, ampliando o confronto político entre PT e PL.
Débora reage e compara Sinésio a Alexandre de Moraes A resposta da deputada Débora Menezes veio em tom igualmente contundente.
“Eu acho que a gente poderia mudar o nome de Vossa Excelência para Alexandre de Moraes”, afirmou, ao criticar a maneira como Sinésio mencionara sua condição de corregedor da Assembleia. A parlamentar interpretou as declarações do petista como uma tentativa de constranger deputados que pretendiam votar contra a proposta.
Em seguida, ampliou o confronto para o campo ideológico. “E a esquerda, como sempre, é hipócrita”, declarou.
Débora acusou Sinésio de não ter adotado a mesma posição quando a Assembleia discutiu anteriormente uma proposta de proteção a símbolos e dogmas cristãos. Segundo ela, o deputado havia votado contra aquela iniciativa, embora agora classificasse como intolerância religiosa a resistência ao projeto de sua autoria.
“A democracia só vai funcionar para um lado”, criticou. Sinésio contestou a afirmação e procurou demonstrar, por meio de registros legislativos, que seu posicionamento sobre a proteção de símbolos religiosos não correspondia à versão apresentada pela deputada.
Até o tempo de fala virou disputa entre 13 e 22 A polarização apareceu também em um detalhe da discussão: o tempo de pronunciamento.
Ao solicitar mais tempo para defender seu projeto, Sinésio pediu 13 minutos, número que identifica o PT nas urnas. “13, 13 minutos, tá bom.
13 minutos”, afirmou. Mais tarde, Débora Menezes entrou na disputa simbólica.
“22 minutos, não é uma democracia isso aqui? Então me conceda 22 minutos de fala”, declarou. O número 22 é a identificação eleitoral do PL.
A troca de provocações transformou até mesmo a contagem do tempo em uma demonstração das identidades partidárias que dividem os dois parlamentares. Joana Darc antecipa o clima da Câmara Federal
A observação de Joana Darc ganhou significado especial porque a deputada acaba de ser eleita para a Câmara dos Deputados. Durante a discussão, ela havia defendido o projeto de Sinésio, argumentando que o respeito à liberdade religiosa deve prevalecer sobre as convicções individuais dos parlamentares.
Também alertou para o extremismo político que, segundo ela, tem levado brasileiros a romper relações pessoais e profissionais por divergências eleitorais. Ao final, diante do confronto entre PT e PL, a deputada afirmou que já estava se sentindo em Brasília.
A frase serviu como uma síntese involuntária da sessão. Leia mais
Reduzir fila do Sisreg em 100 dias é prioridade 1, reafirma Omar Aziz O projeto de Sinésio Campos ficou sem votação, mas o debate deixou evidente que a divisão política nacional continua presente na Assembleia do Amazonas.
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