Partido do governador reeleito comanda o Executivo paulista, tem seis deputados estaduais eleitos e pode ampliar sua influência nacional A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, abre espaço para uma reorganização da direita brasileira.
Nesse cenário, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece entre os nomes mais cotados para assumir maior protagonismo na oposição e nas articulações políticas nacionais. A movimentação também coloca em evidência o partido ao qual ele pertence e sua capacidade de transformar a influência do governo paulista em força política para além do estado.
O principal ativo do Republicanos em São Paulo é o governo estadual. Com a reeleição de Tarcísio, a legenda seguirá à frente do Executivo paulista a partir de 2027, mantendo o comando de um estado que concentra o maior colégio eleitoral do Brasil e tem peso decisivo na economia nacional.
A posição oferece ao partido visibilidade, capacidade de articulação com prefeitos e lideranças regionais e influência sobre decisões que repercutem em todo o país. A força do partido, porém, precisa ser analisada para além da popularidade de Tarcísio.
Na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), o Republicanos elegeu seis deputados estaduais para a legislatura que começa em 2027. A bancada é menor do que a do PL, que terá 27 parlamentares, e a do PT, que integra uma federação com 16 cadeiras.
Isso mostra que o peso político da legenda no estado está concentrado principalmente no governo e na capacidade de construir alianças com outras siglas. A base aliada de Tarcísio, por outro lado, terá ao menos 62 dos 94 deputados estaduais.
O grupo reúne partidos como PL, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Novo e a federação União Brasil-PP, além do Republicanos. A maioria amplia a capacidade do governador de aprovar projetos e negociar pautas no Legislativo.
Na Câmara dos Deputados, o Republicanos também terá representantes eleitos por São Paulo. Entre eles estão o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, além de Guilherme Piai, Celso Russomanno, Ney Santos, Altair Moraes e Maria Rosas.
A bancada federal paulista do partido terá seis integrantes, conforme a lista de eleitos divulgada pela Justiça Eleitoral. A presença no Congresso permite que a legenda participe de negociações sobre orçamento, projetos de interesse dos estados e a composição dos espaços de poder em Brasília.
A influência de São Paulo não se limita à quantidade de eleitores. O estado concentra uma parcela expressiva da atividade econômica brasileira, abriga grandes centros industriais e financeiros e tem protagonismo em setores como serviços, tecnologia, comércio e infraestrutura.
Por isso, a atuação do governo paulista em áreas como segurança pública, transportes, concessões e equilíbrio fiscal tende a repercutir no debate nacional e pode ajudar a projetar Tarcísio como uma liderança com experiência administrativa. Essa projeção também interessa ao Republicanos.
Nas eleições de 2026, o partido elegeu quatro governadores: Tarcísio de Freitas, em São Paulo; Cleitinho Azevedo, em Minas Gerais; Otaviano Pivetta, em Mato Grosso; e Lorenzo Pazolini, no Espírito Santo. Com os resultados, a sigla passará a governar três dos quatro estados do Sudeste, região que concentra grande parte da população e da atividade econômica do país.
A combinação de governos estaduais e presença parlamentar amplia o potencial de articulação da legenda. A aproximação com o bolsonarismo é outro componente dessa equação.
Durante a disputa presidencial, o Republicanos oficializou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, decisão anunciada pelo presidente nacional da legenda, Marcos Pereira. Tarcísio participou da articulação e defendeu publicamente a aliança, demonstrando que o partido buscou se posicionar junto ao campo político que reúne parte expressiva da direita brasileira.
Com Flávio fora do país, Tarcísio pode ganhar espaço como interlocutor entre diferentes setores da direita, incluindo o bolsonarismo, partidos do Centrão e grupos que priorizam uma agenda econômica liberal. A possibilidade de construir pontes entre esses segmentos pode aumentar sua influência e dar ao Republicanos um papel mais relevante nas negociações nacionais.
Há também um limite partidário importante. O Republicanos não é uma legenda inteiramente identificada com o bolsonarismo e reúne integrantes com diferentes posições políticas e relações com o governo federal.
Na decisão de apoiar Flávio, a direção não fechou questão, permitindo que integrantes da sigla mantivessem posições divergentes. Essa característica dá flexibilidade para negociar com diferentes grupos, mas também pode dificultar a construção de uma identidade política nacional única em torno de Tarcísio.
Camila Souza é repórter do ND Mais em São Paulo, de onde apura e escreve sobre os principais assuntos da maior cidade do Brasil. Integrante do Núcleo Nacional, cobre política, economia, segurança pública e o que mais impacta a população do estado.
Acompanha especialmente movimentações políticas e o que acontece na Grande São Paulo, incluindo a capital paulista, Guarulhos, Campinas, São Bernardo do Campo, Osasco e a região. Formada pela UniRitter, em Porto Alegre, trabalha com comunicação desde 2020 e tem experiência em redação multimídia e edição de conteúdo, com passagens por portais de notícias e jornal impresso.
Foi repórter nas Eleições 2022 e integrou o Projeto Comprova, iniciativa nacional de checagem de fatos. Leia mais ▾
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