A deputada federal eleita Ana Elisa (PT) publicou um vídeo nas redes sociais sobre perseguições ocorridas três dias após a eleição presidencial. A parlamentar abriu espaço na gravação para mobilizar juristas dispostos a prestar apoio a trabalhadores demitidos, comerciantes atingidos e cidadãos submetidos a assédio eleitoral.Leia também: Após carta de Flávio, Kassio Nunes reforça que eleições foram "legítimas"No pronunciamento, a deputada comparou a movimentação de perseguição comercial a episódios da Alemanha nazista, período em que um boicote nacional impediu a população de comprar de comerciantes judeus.
Ela também relembrou que o lema “Deus, pátria, família”, reproduzido por apoiadores do bolsonarismo, consiste em uma herança nazista.“Eu quero dizer que eu ainda acredito que existam pessoas boas que adotaram o movimento do bolsonarismo sem saber de onde este movimento é oriundo.
Eu sempre os alertei sobre o lema ‘Deus, pátria, família’, que é herança da Alemanha nazista. Essa atitude agora de fazer boicote, também é uma herança.
Nós estamos avançando cada vez mais para um país que parece com um país que matava judeu”, complementou. Ao abordar os impactos dos ataques, a parlamentar alertou para o avanço dos casos após listas iniciais de estabelecimentos. Ela relata que médicos chegaram a anunciar em redes sociais a intenção de modificar remédios de pacientes, atitude que desrespeita o juramento profissional e atenta contra a integridade física das pessoas.“Eu quero deixar isso aqui, que vocês se manifestem, que as pessoas consigam os procurar.
Pessoas foram demitidas, comércios estão sendo boicotados, e isso não pode acontecer. Essas pessoas precisam ser responsabilizadas.” Mobilização jurídica nas redesA deputada pediu que advogados utilizem os comentários da sua publicação para oferecer atendimento aos prejudicados.
Ela orientou as vítimas a reunirem provas dos fatos para acionar os defensores, destacando que os responsáveis precisam responder por seus atos.Ana Elisa relembrou o resultado da eleição presidencial de 2018, ressaltando que o grupo derrotado na época não fez ações semelhantes. “Nós já perdemos a eleição uma vez, foi em 2018, e isso não ocorreu“.
A parlamentar ainda criticou as consequências das listas no mercado interno: “E aí depois não precisa reclamar da economia do país, se vocês estão boicotando a economia do país.”Leia também: Trump sobre Flávio se autodeclarar presidente do Brasil: "Não vou me envolver"A deputada afirmou que manterá o consumo regular em serviços de unha, sobrancelha, cabelo e depilação nos mesmos locais frequentados habitualmente, independentemente da posição política dos profissionais, rejeitando qualquer participação na elaboração de listas.Médicos, advogados e influenciadores digitais reagiram às declarações da parlamentar.
Profissionais do direito começaram a divulgar a disponibilidade de seus escritórios para prestar assistência aos demitidos.Entre os que se manifestaram, a advogada Cledir Fátima orientou os trabalhadores sobre medidas cabíveis perante a Justiça do Trabalho: “Tenho visto gente aqui nas redes sociais, falando que tem empresa e que vai mandar as pessoas petistas embora.
Gente, se isso acontecer com você é só procurar um advogado de sua confiança. E isso aumenta bastante na hora da sua indenização.
A justiça do trabalho está lá só aguardando”. A profissional concluiu colocando a própria banca à disposição das pessoas demitidas.
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Correio Brazilliense