Juliana Magioli tinha uma certeza quando trocou a faculdade de engenharia civil pela de gastronomia: não queria trabalhar em restaurantes. Imaginava dar aulas ou fazer eventos, nunca ficar horas em pé.
Aos 33 anos, comanda o italiano Alloro, do hotel Miramar by Windsor, em Copacabana, e acaba de ganhar o prêmio de chef revelação do Rio Gastronomia. “Até hoje a ficha não caiu”, diz.
Juliana Magioli Ana Branco
A mudança começou em 2013, no 5º período. A mãe percebeu o desânimo da filha e encontrou pesquisas sobre cursos de gastronomia abertas no computador.
Mandou mensagem de incentivo. “Foi um alívio.
Não sabia como contar que queria mudar.” Formada pela Estácio de Sá, começou a carreira no Le Pré Catelan, com Roland Villard.
Passou pelo Pipo, de Felipe Bronze, antes de chegar ao Cipriani, no Copacabana Palace. Foram quase sete anos sob o comando de Nello Cassese, numa rotina de exigência técnica e pressão constante.
“Chorei muitas vezes. Precisava ir à câmara fria respirar.” Entrou como cozinheira e chegou a subchef.
“Ela nunca nunca teve medo de desafios e sempre mostrou muita vontade de aprender, evoluir e superar os próprios limites”, diz Nello. Lagostins grelhados commassa recheada de beringela, yomate e ricota
Ana Branco Há um ano e meio no cargo, é a primeira mulher a comandar o Alloro.
Lidera 30 funcionários e responde ainda pelo serviço culinário do hotel de 200 quartos e pelas refeições de toda a brigada do Miramar. O maior desafio não foi conquistar o respeito de uma equipe majoritariamente masculina, mas aprender a administrar tantas pessoas.
“Ainda estou descobrindo que chef quero ser”, diz. Na terapia, trabalha a autocrítica.
“Tento não repetir o que não gostava que fizessem comigo.” Fora do trabalho, é viciada em crossfit, boteco e folia. Cavatelli de açafrão, ragu de ossobuco e gremolata de salsa e lomão siciliano
Ana Branco No menu do Alloro, reforçou os clássicos e abriu espaço para criações próprias, como o caramelle alla Norma, com berinjela, ricota e lagostim (R$ 138); o cavatelli de açafrão com ragu de ossobuco (R$ 147); e seu preferido, o cappelletti nero, com ricota, cavaquinha, bottarga e bisque (R$ 165).
“É bonito, delicado, mas cheio de força”, diz. Cappelletti Nero
Ana Branco Qualquer semelhança com ela não é mera coincidência.
O Globo