Portos de Itajaí e Navegantes entram em plano contra El Niño

Portos de Itajaí e Navegantes entram em plano contra El Niño - Foto
Fonte da notícia: Mixvale Mixvale

Portos de Itajaí e Navegantes entram em plano de contingência contra os efeitos do El Niño em Santa Catarina. Os portos recebem cerca de 20 navios por semana e a articulação prevê transferir cargas para outros terminais do estado caso eventos climáticos extremos interrompam as operações.

A FACISC (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina) lidera a iniciativa, por meio do Fórum de Infraestrutura e do CONCENI (Conselho de Comércio Exterior e Negócios Internacionais). Na reunião realizada em 3 de novembro de 2026, os participantes encaminharam a criação de um grupo de trabalho que vai levantar o que os órgãos federais conseguem atender e estabelecer regras para emergências.

Acompanhe: Resultado Mega-Sena 3081: quanto o prêmio de R$ 46 milhões rende por mês na poupança e no Tesouro Selic Entre as alternativas estão os portos de Imbituba e Itapoá, que poderiam receber parte das cargas caso as operações de Itajaí e Navegantes sejam interrompidas.

A FACISC ainda não informou quanto Itapoá poderia receber. Uma reportagem anterior citou que a capacidade ociosa do terminal é limitada, e um executivo do Porto Itapoá disse que a operação já está acima de 80% da capacidade.

Lito Guimarães, diretor setorial da FACISC, disse que o primeiro passo é identificar a capacidade real de cada instituição e as possibilidades de reforço nas unidades que poderiam receber cargas desviadas. Segundo ele, “sabemos que não existe uma contingência capaz de absorver toda a demanda de Itajaí e Navegantes.

Os portos também operam próximos da capacidade. Mas precisamos entender o que cada órgão consegue atender e quais alternativas temos dentro de Santa Catarina.

Se for necessário, queremos levar essa demanda à esfera estadual ou nacional para que o empresário tenha condições de se antecipar”. Segundo a estimativa apresentada na reunião, o Porto de Imbituba pode receber capacidade adicional temporária sem comprometer a segurança operacional.

A capacidade é medida em TEU, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, usada para contar a movimentação de cargas nos portos. Foram apontadas, porém, limitações nos processos de movimentação de contêineres, principalmente para mercadorias refrigeradas e congeladas.

A preocupação toma como base a crise de outubro de 2023, quando o fechamento do canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes gerou atrasos nas operações e custos extras para importadores e exportadores. O canal ficou fechado durante 16 dias, e o plano agora busca evitar que um episódio semelhante paralise a entrada e a saída de mercadorias sem alternativas definidas.

Para quem importa e exporta, a principal mudança prevista é a previsibilidade. A FACISC e o CONCENI querem transformar as articulações em rotinas com responsáveis e alternativas já identificados, para que o empresário saiba antecipadamente onde sua carga pode ser movimentada.

A Receita Federal informou que pode remanejar servidores e elaborar uma portaria local para autorizar transferências excepcionais de cargas entre recintos alfandegados, isto é, locais autorizados pela aduana para guardar mercadorias importadas. A transferência, porém, depende também de fiscais, procedimentos aduaneiros específicos e armazenagem adequada, sobretudo para cargas refrigeradas e congeladas.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou que possui um plano de contingência de saúde pública revisado. Como as análises técnicas de mercadorias importadas são centralizadas em Brasília, o órgão deverá esclarecer até onde vai sua capacidade de resposta caso a demanda aumente.

O Vigiagro (Vigilância Agropecuária Internacional) relatou reforços recentes nas equipes de Itajaí e Navegantes, com admissões feitas entre 2024 e 2025, e sinalizou apoio remoto e presencial às unidades de Imbituba e Itapoá. Daise Santos, integrante do CONCENI, disse que a comunicação entre os órgãos pesou na crise anterior.

Segundo ela, “um dos fatores que complicaram a última crise foi a interlocução com os diversos órgãos envolvidos. Se tivermos uma ou duas pessoas previamente definidas em cada instituição, saberemos com quem falar, como esclarecer as situações e encaminhar as demandas.

As decisões não podem ser antecipadas em sua totalidade, mas precisamos ter os caminhos definidos para tratar cada assunto”. Cada órgão e entidade deverá indicar representantes para o grupo de trabalho e apresentar informações sobre disponibilidade de pessoal, capacidade de atendimento e procedimentos em uma situação excepcional.

Os operadores portuários também deverão detalhar seus limites de absorção de cargas e as possíveis adequações de infraestrutura. Não há prazo para o grupo concluir o mapeamento, e não há data para o plano de contingência ser aprovado.

Também não se sabe se haverá paralisação dos portos de Itajaí e Navegantes em 2026, já que as fontes falam em risco a partir de novembro. Os nomes e cargos dos representantes ainda não foram divulgados, e o detalhamento das regras da portaria da Receita Federal ainda não foi publicado.

Publicação Original Mixvale mixvale.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →