Os democratas asseguraram controle da Câmara e do Senado americano na eleição de 3 de novembro, após dois anos de maioria republicana no Congresso. Durante a campanha, os democratas argumentaram que o Congresso abriu mão de poder sobre gastos e sobre autorização para guerras, atributos constitucionais.
E agora se espera que tais atributos, cedidos pela antiga maioria republicana à Casa Branca, sejam retomados. Leia também:
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Limitar a guerra contra o Irã Trump não buscou autorização do Congresso antes de lançar com Israel a guerra ao Irã, no fim de fevereiro.
E os democratas votaram, reiteradamente, por encerrar o conflito, a menos que fosse concedida autorização formal do Congresso a Trump para prosseguir com a guerra. Uma das resoluções apresentadas pelos democratas foi aprovada na Câmara e no Senado, com apoio de alguns republicanos.
Mas a recomendação foi ignorada pelo governo Trump. Com a maioria no Congresso, os democratas podem cortar gastos de defesa e atrasar nomeações para pressionar Trump a obter permissão para continuar a guerra.
Também podem exigir do governo que preste informações públicas em audiências no Congresso quanto aos planos sobre o conflito. Renovação do apoio à Ucrânia
Trump vinha segurando o financiamento direto e a ajuda militar à Ucrânia, há quase cinco anos em guerra com a invasora Rússia, apesar do amplo apoio ao auxílio americano tanto por democratas quanto por republicanos no Congresso. Recentemente, o presidente desagradou inclusive a republicanos ao suspender sanções à Rússia para importar diesel do país.
Com o controle da Câmara e do Senado a partir de janeiro, nova ajuda pode ser aprovada para a Ucrânia, com maioria de dois terços para impedir veto de Trump. Assessores democratas têm dito que auxiliar a Ucrânia é uma prioridade.
Iniciativas bipartidárias com relação à Rússia também podem ganhar força, inclusive com relação à ideia de Trump de trazer diesel russo como reforço à oferta global do combustível. Embora a dimensão da vitória final dos democratas ainda não esteja determinada, o apoio bipartidário à Ucrânia é tão definido que é plausível esperar maiorias de dois terços que impeçam veto de Trump na questão.
Fim da ajuda militar a Israel O apoio a Israel diminuiu drasticamente entre os democratas ao longo da condução da guerra em Gaza, que matou dezenas de milhares de civis palestinos.
A violência de colonos na Cisjordânia e a aliança entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e os republicanos também são fatores a se considerar. Os democratas podem limitar ou mesmo encerrar a ajuda militar a Israel, que chega a quase US$ 4 bilhões ao ano.
Quase metade da bancada democrata na Câmara votou este ano pela redução do auxílio financeiro a Israel. Alguns também defenderam a redução dos envios de armamento pesado, como bombas.
Limitar gastos militares e restaurar a ajuda internacional Os democratas tendem mais do que os republicanos a limitar gastos militares.
Trump requisitou um aumento sem precedentes, de 67%, no orçamento militar deste ano, para US$ 1,5 trilhão, mas a iniciativa foi bloqueada pelos democratas no Senado, que mencionaram os cortes em programas sociais e a falta de autorização do Congresso para a guerra ao Irã. Trump também reteve ou cancelou bilhões de dólares em ajuda internacional aprovada pelo Congresso, o que irritou democratas que desejam restaurar essas fontes de financiamento.
No passado, inclusive no primeiro mandato de Trump, a ajuda internacional era um princípio da política externa dos EUA apoiado tanto por democratas como por republicanos. Mais escrutínio sobre a política para a América Latina
Trump tem sido bem mais agressivo e atuante no Hemisfério Ocidental do que os antecessores recentes, o que incluiu a remoção de Nicolás Maduro da Venezuela, no início de 2026, e mais de um ano de ataques a embarcações no Caribe que transportariam drogas para os Estados Unidos. Ele também impôs um número maior de sanções a Cuba, sob ameaça de intervenção militar direta para forçar uma mudança de regime.
O governo dos EUA também tentou influenciar as eleições em países como Honduras, Argentina, Colômbia e Brasil. Alguns democratas defendem a realização de audiências públicas sobre o que ocorreu na Venezuela.
Outros denunciam o que classificam como sanções e punições cruéis que afetam os cidadãos de Cuba, e pedem o fim do envolvimento do país com eleições no exterior.
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