247 – John D. “Jay” Rockefeller IV, ex-senador democrata e integrante de uma das famílias mais ricas e influentes dos Estados Unidos, morreu nesta sexta-feira (6), aos 89 anos, em sua residência em Washington, capital estadunidense.
Bisneto do magnata do petróleo John D. Rockefeller, fundador da Standard Oil, ele construiu uma carreira política de mais de quatro décadas, marcada pela atuação na Virgínia Ocidental, por divergências com a indústria do carvão e por decisões controversas sobre a política externa e a vigilância governamental.
A informação foi divulgada pela emissora RT, com base em reportagem do jornal The Washington Post. Segundo a publicação, a família do ex-parlamentar não informou a causa da morte.
Rockefeller representou a Virgínia Ocidental no Senado entre 1985 e 2015, depois de exercer dois mandatos como governador do estado. Embora tivesse origem em uma das maiores fortunas privadas da história estadunidense, Rockefeller iniciou sua trajetória pública em uma região marcada pela pobreza e pela dependência econômica da mineração.
Sua carreira o levou a ocupar posições de destaque no Partido Democrata e a participar de decisões importantes da política nacional. De uma das famílias mais ricas dos EUA à política na Virgínia Ocidental
A trajetória de Jay Rockefeller começou a ganhar contornos políticos em 1964, quando ele se mudou para a Virgínia Ocidental para trabalhar como voluntário em um programa de combate à pobreza. A experiência representou sua aproximação com um estado cuja realidade social contrastava com a riqueza acumulada por sua família.
Rockefeller ingressou posteriormente na política estadual e chegou ao governo da Virgínia Ocidental em 1977. Depois de dois mandatos como governador, disputou uma vaga no Senado em 1984, campanha na qual utilizou milhões de dólares de seu patrimônio pessoal para financiar sua candidatura.
Eleito senador, permaneceu no Congresso durante 30 anos. Mesmo representando uma população com elevados índices de pobreza, figurou entre os parlamentares mais ricos dos Estados Unidos, condição que evidenciava o contraste entre sua origem familiar e a realidade econômica de seus eleitores.
Conflitos com a indústria do carvão Um dos principais pontos de tensão de sua carreira foi a relação com a indústria carbonífera, setor historicamente responsável por parcela significativa da atividade econômica e dos empregos na Virgínia Ocidental.
Em 2012, Rockefeller se posicionou contra uma iniciativa destinada a impedir restrições federais às emissões de usinas termelétricas movidas a carvão. A decisão provocou críticas de representantes do setor, que consideravam as medidas ambientais uma ameaça à manutenção dos postos de trabalho e à continuidade da atividade mineradora.
A associação da indústria do carvão do estado acusou o senador de apoiar políticas prejudiciais ao futuro econômico da região. O conflito contribuiu para desgastar sua relação com parte do eleitorado, em um momento de crescente resistência às políticas ambientais do governo federal.
O apoio de Rockefeller ao então presidente Barack Obama também provocou divergências políticas na Virgínia Ocidental, estado onde a indústria carbonífera exercia forte influência econômica e eleitoral. Apoio à invasão do Iraque e lei de vigilância marcaram mandato
A atuação de Rockefeller no Senado também foi marcada por decisões controversas relacionadas à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos. Em 2002, ele votou a favor da autorização para o uso da força militar contra o Iraque, que abriu caminho para a invasão liderada pelo governo estadunidense no ano seguinte.
Quase uma década depois, reconheceu publicamente o erro e classificou a decisão como “um dos piores votos da minha vida”. Outro episódio ocorreu em 2008, quando o senador participou da aprovação de uma legislação que concedeu proteção jurídica a empresas de telecomunicações envolvidas no programa de interceptações telefônicas sem autorização judicial conduzido durante o governo de George W.
Bush. A medida provocou críticas de organizações de defesa das liberdades civis, que argumentavam que a legislação dificultava a responsabilização das empresas por sua participação nas atividades de vigilância.
A influência política e financeira da família Rockefeller Jay Rockefeller pertencia à quarta geração de uma dinastia cuja fortuna teve origem na expansão da indústria petrolífera estadunidense.
Seu bisavô, John D. Rockefeller, fundou a Standard Oil e se tornou um dos empresários mais ricos da história dos Estados Unidos.
A influência familiar ultrapassou o setor energético e alcançou instituições financeiras e os principais centros de poder político do país. Seu tio Nelson Rockefeller foi governador de Nova York e vice-presidente dos Estados Unidos, enquanto outro tio, David Rockefeller, presidiu o Chase Manhattan Bank, uma das instituições financeiras mais importantes do país.
A trajetória de Jay Rockefeller deu continuidade à presença da família na política nacional, embora ele tenha desenvolvido sua carreira em um estado distante dos tradicionais centros econômicos associados à dinastia. Aposentadoria encerrou presença da família em cargos eletivos
Em 2013, Rockefeller anunciou que não disputaria um sexto mandato no Senado. A decisão ocorreu em meio ao desgaste político provocado por suas divergências com a indústria do carvão e pelo apoio à administração Obama.
Sua saída do Congresso, em janeiro de 2015, encerrou três décadas de atuação como senador e marcou, naquele momento, o fim da presença de integrantes da família Rockefeller em cargos eletivos nos Estados Unidos. O ex-senador deixa a esposa, Sharon Percy Rockefeller, quatro filhos e nove netos.
Brasil 247