“Pode ser qualquer um menos Alcolumbre”, diz Damares

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) manifestou sua oposição à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para a presidência do Senado. Em declaração ao Brasil 247, na noite desta segunda-feira (2), ela foi categórica ao comentar a disputa pelo comando da Casa: “Pode ser qualquer um menos Alcolumbre”.

A manifestação ocorre em meio à articulação de senadores de direita para lançar uma candidatura de oposição à reeleição do atual presidente do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), pretende defender que parlamentares de direita tornem públicos seus votos, numa tentativa de evitar que integrantes do grupo apoiem secretamente Alcolumbre.

“Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?”, afirmou Marinho à Folha.

A declaração de Damares reforça a resistência à permanência de Alcolumbre no comando do Senado, embora ainda não exista consenso entre os partidos de direita sobre quem deverá enfrentá-lo. PL discutirá candidatura própria nesta quarta-feira

Os senadores do PL devem se reunir nesta quarta-feira (4) para discutir a estratégia do partido na eleição para a presidência do Senado. Uma das possibilidades é o lançamento da candidatura de Rogério Marinho, que já disputou o cargo em 2023.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também pretende concorrer. O partido, entretanto, está dividido.

Uma ala defende a negociação com Alcolumbre, especialmente após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, para preservar espaços de influência na Casa. Outro grupo considera que a ampliação da bancada de direita oferece condições para disputar diretamente a presidência do Senado.

A posição expressa por Damares indica que, ao menos entre parte dos parlamentares desse campo político, a prioridade é impedir a reeleição de Alcolumbre, independentemente do nome escolhido para enfrentá-lo. Direita terá força ampliada na nova composição

O PL contará com 29 senadores na próxima legislatura, enquanto o Novo terá três representantes. Juntos, os dois partidos somarão 32 parlamentares.

Republicanos, PP, Podemos e PSDB terão outros 15 senadores, a maioria eleita com apoio do bolsonarismo. A soma desses grupos chega a 47 cadeiras, acima dos 41 votos necessários para eleger o presidente do Senado, composto por 81 integrantes.

Essa configuração, contudo, não garante uma votação unificada. Alcolumbre mantém relações políticas com integrantes de diferentes partidos, inclusive da direita, e aposta nesses vínculos para conquistar os apoios necessários à reeleição.

Segundo a Folha, tanto Alcolumbre quanto Marinho afirmam contar com 48 votos, o que demonstra que as estimativas dos dois campos incluem parlamentares considerados aliados por ambos. Marinho quer impedir votos secretos em Alcolumbre

Um dos principais pontos da estratégia da oposição é a tentativa de dar publicidade aos votos dos senadores de direita. A eleição para a presidência do Senado é realizada por voto secreto, o que permite aos parlamentares apoiar publicamente um candidato e votar em outro.

Marinho pretende estimular a divulgação voluntária das escolhas para aumentar a transparência política e reduzir a possibilidade de divergências entre os compromissos públicos e os votos efetivamente depositados na urna. A estratégia remete à eleição de 2019, quando Alcolumbre disputou pela primeira vez a presidência da Casa, com apoio do então presidente Jair Bolsonaro.

Na ocasião, uma tentativa de estabelecer oficialmente o voto aberto foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal, por decisão liminar do ministro Dias Toffoli. Apesar disso, alguns senadores decidiram mostrar suas cédulas antes de depositá-las na urna, revelando voluntariamente suas escolhas.

Bolsonaristas criticam atuação de Alcolumbre A resistência ao atual presidente do Senado está relacionada, entre outros fatores, à avaliação de parlamentares bolsonaristas sobre sua atuação durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Integrantes da oposição acusam Alcolumbre de ter dado maior atenção às demandas do governo do que às prioridades dos partidos de direita. Entre as críticas estão a condução das negociações sobre a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e a resistência à abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Outro ponto de atrito foi a votação da proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1, uma das principais bandeiras defendidas por Lula. Segundo a Folha, a iniciativa avançou durante a campanha presidencial e contribuiu para fortalecer a candidatura do petista no segundo turno.

Alcolumbre enfrenta resistência até entre aliados Na terça-feira (27), a federação formada por União Brasil e PP anunciou a candidatura de Alcolumbre à reeleição.

A decisão, entretanto, não recebeu manifestações públicas de apoio da maioria dos senadores das duas legendas. Tereza Cristina e Guilherme Derrite (PP-SP) criticaram o anúncio nas redes sociais, evidenciando as divergências existentes dentro do próprio campo partidário que sustenta a candidatura do atual presidente.

Marinho já enfrentou uma derrota na disputa pelo comando da Casa em 2023, quando recebeu 32 votos contra 49 de Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Após aquela eleição, o PL passou dois anos sem comandar comissões relevantes e sem ocupar posições na Mesa Diretora.

Em 2025, o partido decidiu apoiar Alcolumbre em troca de espaços institucionais, incluindo a vice-presidência do Senado. Agora, com uma bancada ampliada e novas divergências sobre a condução política da Casa, parte da oposição pretende rever essa aliança.

A declaração de Damares ao Brasil 247 acrescenta mais uma manifestação pública de resistência à reeleição de Alcolumbre, em uma disputa que deverá definir o comando do Senado e sua relação com o quarto governo Lula a partir de fevereiro de 2027.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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