O Shopping Leblon, situado no bairro homônimo, na zona Sul do Rio, e pertencente ao grupo Allos, completa 20 anos de operação em dezembro e aposta no aumento do número de lojas, na ampliação dos serviços e em eventos de gastronomia e programação cultural como forma de atrair mais consumidores e seguir crescendo.
Em 2025, o shopping fechou com R$ 1,7 bilhão em vendas dos lojistas instalados no empreendimento, alta de 15% em relação a 2024. O shopping também busca se aproximar do público por meio de ações de marketing e de um programa de relacionamento.
“No fim do dia, todas as decisões de estratégia e investimentos miram o fluxo de clientes e a venda porque isso valoriza o ativo”, diz Rodrigo Lovatti, superintendente do shopping. Para comemorar os 20 anos, o shopping Leblon lançou uma campanha que tem como tema a “elegância carioca”.
A campanha procura aproximar marcas, cultura, entretenimento e hábitos cotidianos. O shopping também participa de eventos como o Rio Open e a ArtRio e promove exposições, ações de moda e apresentações musicais.
“Mais do que celebrar uma data, quisemos construir uma narrativa sobre a elegância carioca e sobre a maneira como ela se manifesta no cotidiano”, diz Paula Magrath, diretora de marketing do shopping. O crescimento do portfólio de lojas também envolve mudanças no espaço físico.
Entre 2021 e 2024, o empreendimento criou o chamado piso zero, com mais de 1.730 metros quadrados e 20 operações, entre cafés, pet shops, barbearia, casa de câmbio, academias e clínica médica. Ao todo, o shopping tem 220 lojas e quiosques.
Entre as novas operações que começaram a funcionar neste mês estão Dyson, marca britânica de tecnologia e eletrodomésticos; On (On Running), de calçados e artigos esportivos; Le Jazz, restaurante de estilo francês, e outras cinco marcas. A administração faz pesquisas de satisfação com clientes para entender se as lojas atendem ao perfil do público e se atingem determinados resultados.
Para escolher novos lojistas, considera o tipo de negócio, o tamanho da loja, a localização no shopping e a procura pelo espaço. Outra ferramenta é o programa de relacionamento que oferece benefícios aos clientes e permite à administração acompanhar compras registradas por notas fiscais, o chamado Solar.
Para Lovatti, a plataforma ajuda a estimular novas compras e a entender melhor os hábitos dos consumidores. A gestão também acompanha mudanças no perfil do público, como a presença de turistas e a expansão de edifícios corporativos no entorno.
A intenção é atrair consumidores mais jovens e aumentar as opções de alimentação, serviços e atividades culturais. A torre corporativa ligada ao complexo, conhecida como Offices Shopping Leblon, foi desenvolvida pelo Grupo Santa Isabel, que permanece responsável pela gestão.
O shopping, localizado no bairro do Leblon - com a metragem mais cara do Brasil (em dezembro de 2025, o valor médio na região atingiu R$ 25.717 por metro quadrado, segundo dados do mercado imobiliário) -, fica ao lado da Cruzada de São Sebastião, conjunto habitacional popular de dez prédios inaugurado em 1955 por iniciativa de Dom Hélder Câmara (1909-1999), bispo e defensor dos direitos humanos na ditadura militar, para abrigar famílias de baixa renda.
A relação entre o shopping e o conjunto habitacional começou na construção do empreendimento, em 2006. Foi destinado R$ 1,5 milhão a obras nos prédios da Cruzada e a cursos profissionalizantes para moradores, segundo noticiou à época a Folha de S.Paulo.
Hoje, o shopping apoia a Escola Municipal Santos Anjos, na Cruzada, com ações que incluem formação de professores, reforço escolar e melhorias na infraestrutura. Também divulga iniciativas de inclusão digital para crianças, adolescentes e idosos.
Segundo relatório do J.P. Morgan, o shopping Leblon registrou vendas mensais de R$ 6.557 por metro quadrado no quarto trimestre de 2025, o terceiro melhor desempenho entre mais de 70 shoppings analisados no país e o primeiro no Rio.
Em termos nacionais, o Iguatemi São Paulo ficou em primeiro lugar, com R$ 11.957 por metro quadrado, seguido pelo Iguatemi JK, também na capital paulista, com R$ 8.838. Segundo Lovatti, o shopping Leblon também ocupa o primeiro lugar no ranking interno da Allos de vendas e produtividade por metro quadrado.
A companhia detém 51% do empreendimento, mas não detalhou quem são os demais investidores. Criada em 2023, a Allos surgiu da combinação entre Aliansce Sonae e BR Malls e tem outros ativos no Estado, como NorteShopping, Bangu Shopping, Shopping Tijuca e Rio Design Leblon.
O setor de shopping centers movimentou R$ 201 bilhões no Brasil em 2025, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). A entidade contabilizou 658 empreendimentos em operação, sendo 73 no Estado do Rio.
Para Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os juros altos e o endividamento das famílias devem limitar o crescimento do consumo no fim de 2026 e ao longo de 2027. O comércio varejista cresceu 0,1% em agosto ante julho e acumulou alta de 1,7% de janeiro a agosto, segundo dados citados pelo economista.
Os segmentos que dependem mais de crédito sentiram a pressão. As vendas de móveis e eletrodomésticos caíram 4,2% em agosto na comparação com o mês anterior.
Em setembro, 81,7% das famílias tinham dívidas a vencer, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC. Para 2027, Bentes prevê crescimento mais lento da economia, com alta de até 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), ante previsão de 1,88% em 2026.
Mesmo com a expectativa de queda gradual dos juros, o crédito deve continuar caro e o consumo dependerá mais da renda das famílias. Lovatti também avalia que o cenário exige cautela.
Segundo ele, os juros pressionam o crédito e limitam os investimentos, o que torna necessário acompanhar os efeitos sobre o consumo. O orçamento de 2027 ainda está em elaboração, segundo Lovatti.
O shopping não informou uma meta de faturamento para o próximo ano nem uma previsão de crescimento das vendas para 2026.
Valor