PF pede ao STF investigação sobre tráfico de mulheres e exploração sexual em festas de Vorcaro

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para investigar suspeitas de tráfico de mulheres para fins de exploração sexual e favorecimento da prostituição envolvendo festas organizadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O pedido foi encaminhado na semana passada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, após a identificação de mensagens no celular do banqueiro que apontam seu possível envolvimento na administração de uma rede internacional de prostituição.

O material reunido pelos investigadores inclui conversas sobre recrutamento de mulheres estrangeiras, organização de eventos privados e participação de Vorcaro em decisões relacionadas ao funcionamento da suposta rede. O pedido da PF envolve suspeitas de tráfico de pessoas para exploração sexual e de crimes relacionados ao favorecimento da prostituição.

A abertura da investigação poderá permitir o aprofundamento da análise das mensagens e das circunstâncias em que mulheres estrangeiras eram recrutadas e levadas aos eventos promovidos pelo empresário. De acordo com reportagem do UOL, Vorcaro teria estruturado e financiado, na condição de sócio oculto, uma rede internacional de prostituição a partir de 2023.

Os recursos destinados à operação somariam pelo menos R$ 4,3 milhões. O esquema descrito pela publicação contava com intermediários, recrutamento ativo de mulheres de outros países e uma casa noturna localizada em São Paulo.

As mensagens obtidas pela investigação indicam que o banqueiro não se limitava a financiar a operação. Segundo o UOL, ele também selecionava mulheres de diferentes nacionalidades, transmitia orientações sobre o funcionamento do negócio e participava de decisões de contratação.

As conversas fazem referência a mulheres russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. A Folha também revelou que Vorcaro promovia festas com a presença de mulheres trazidas do exterior.

Entre as nacionalidades identificadas nos encontros estavam russas, ucranianas, lituanas, holandesas, mexicanas e venezuelanas. Uma das mensagens encontradas no celular do empresário foi enviada à então noiva, Martha Graeff, em 18 de agosto de 2025.

Durante uma discussão, ela questionou os contatos mantidos por Vorcaro nas redes sociais com mulheres que considerava prostitutas. Em resposta, o banqueiro associou os relacionamentos à sua atividade empresarial e afirmou ter realizado eventos com centenas de mulheres.

“Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz.

Fiz festa com 300 desse tipo”, escreveu Vorcaro. Na mensagem, o termo em inglês utilizado pelo empresário significa “negócio”.

A declaração passou a integrar o conjunto de elementos examinados pelas autoridades e reforçou as suspeitas sobre a relação entre os encontros privados e as atividades atribuídas ao empresário. Segundo outra reportagem da Folha, Vorcaro mantinha uma estrutura específica para organizar essas reuniões, com equipes responsáveis pela logística e pela infraestrutura necessária à realização dos eventos.

As festas ocorriam tanto no Brasil quanto no exterior e eram planejadas, em determinadas ocasiões, para acontecer durante a semana, paralelamente a compromissos oficiais. De acordo com a publicação, a programação levava em consideração a presença de políticos e outras autoridades, que geralmente precisavam retornar às suas cidades e famílias nos fins de semana.

A investigação busca esclarecer a natureza da participação das mulheres nesses encontros e se houve práticas criminosas relacionadas ao recrutamento, ao deslocamento internacional ou à exploração sexual. A presença de mulheres estrangeiras em festas, por si só, não caracteriza tráfico de pessoas, sendo necessária a apuração das circunstâncias e de eventuais situações de exploração.

O pedido encaminhado a Fachin ocorre em meio à crise institucional envolvendo as investigações do Banco Master no Supremo. O presidente da Corte determinou que os inquéritos relacionados ao banco e ao INSS fossem encaminhados ao seu gabinete.

Apesar da medida, o ministro André Mendonça permanece como relator dos casos. A decisão de centralizar o encaminhamento dos procedimentos no gabinete da Presidência do STF colocou Fachin na posição de receber a nova solicitação da Polícia Federal, embora a relatoria das investigações continue sob responsabilidade de Mendonça.

Vorcaro nega ter cometido irregularidades. Em nota divulgada no último dia 13, o empresário rejeitou as acusações relacionadas à exploração de mulheres e contestou a interpretação atribuída às mensagens.

“Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrespeitado mulheres. Isso não é da minha índole.

Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei”, afirmou.

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