A campanha de Lula entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apenas procurações para abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente, sem extratos, gastos ou registros. Nesta sexta-feira (23), o ex-procurador Deltan Dallagnol foi à sede do tribunal, em Brasília, e gravou um vídeo cobrando os dados: “Cadê o cartão corporativo, Lula?”.
Dallagnol foi indicado pela campanha de Flávio Bolsonaro para analisar o material. Segundo ele, não aparecem no processo os gastos do cartão corporativo de Lula e da primeira-dama Janja, os registros de visitas do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, nem os documentos das empresas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
“Ninguém viu até agora nada”, disse no vídeo. Na gravação, feita em frente ao prédio do TSE, Dallagnol pede que quem encontrar os documentos publique e avise.
Ele também questiona o levantamento de sigilo anunciado pela campanha petista e afirma que as informações continuam sigilosas. As autorizações foram protocoladas na quinta-feira (22), dentro do acordo entre as duas campanhas para a quebra mútua de sigilos.
Elas cobrem Lula, Janja, os filhos do presidente, o Instituto Lula e o assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A campanha de Lula afirma que entregou tudo o que foi pedido e solicitou que o TSE requisite os dados e os publique de uma só vez.
Uma procuração, porém, só permite o acesso. Os extratos, as movimentações e os gastos continuam com os bancos, a Receita Federal, os órgãos públicos e as operadoras de telefonia, e até esta sexta-feira nenhum desses dados tinha sido divulgado.
A lista entregue pela campanha de Flávio também incluía a lobista Roberta Luchsinger. Em vídeo, ela afirmou que não autorizou a abertura dos próprios dados.
Como ela não é parte no processo, a concordância de Lula não basta para abrir as informações dela. O relator do caso no TSE, ministro André Mendonça, entendeu que a abertura dos sigilos é responsabilidade dos próprios candidatos, e não do tribunal.
A campanha de Lula recorreu da decisão. Flávio Bolsonaro, por sua vez, entregou as autorizações dele apenas na madrugada desta sexta-feira, depois do prazo das 23h59 de quinta.
Ainda não há confirmação de que os sigilos dos dois candidatos serão divulgados antes do segundo turno, marcado para domingo (25). © Jornal Razão.
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