Petróleo despenca com excpetativa de acordo entre EUA e Irã, mas bolsas de NY recuam pressionadas por tecnologia

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A renovação das expectativas de que os esforços diplomáticos possam pôr fim à guerra no Irã provocou uma forte queda nos preços do petróleo nesta segunda-feira. Os contratos futuros da commodity fecharam com um recuo próximo de 8%, após o site americano Axios noticiar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria informado ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que está disposto a dar mais tempo às negociações com Teerã antes de retomar os ataques.

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Após a divulgação da notícia, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que recebeu maior autonomia do líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, para conduzir negociações de paz com o governo americano. Ao fechamento, o petróleo Brent, referência mundial de preços, caía 7,63%, com o barril negociado a US$ 104,77.

Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava 7,36%, a US$ 96,46 o barril. Para Sloth Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank ouvido pela Bloomberg, a queda dos preços evidencia os riscos de um mercado sujeito a movimentos em direções opostas, entre o temor de uma escalada militar e a expectativa de negociações de paz

— Agora, tudo gira em torno da geopolítica, especialmente com as eleições de meio de mandato — disse. Trump também sinalizou otimismo com a possibilidade de um acordo.

— Eles querem chegar a um acordo, e isso pode acontecer — afirmou o presidente americano a jornalistas em Washington. O republicano acrescentou que os preços do petróleo caíram porque "parece que as negociações estão avançando muito bem" e "as pessoas ficaram sabendo disso".

Em um primeiro momento, a queda nos preços do petróleo trouxe alívio aos mercados financeiros ao longo do dia, ao reduzir as preocupações com os efeitos da alta dos custos de energia sobre a inflação global. O movimento chegou a impulsionar as bolsas americanas, corrigindo a queda vista na última semana, mas, apesar do alívio nos preços da commodity, as bolsas de Nova York encerraram o pregão pressionadas pelas ações de empresas de tecnologia.

Novas regras: SAC de empresas terá atendimento humano obrigatório a partir desta segunda-feira Ao fechamento, o Dow Jones subia 0,41%, aos 51.98 pontos, o S&P 500 recuava 0,51%, aos 7.541 pontos e o Nasdaq, índice com forte participação de empresas de tecnologia, perdia 1,07%, aos 25.164 pontos.

As perdas foram lideradas pelas ações de empresas de tecnologia, especialmente fabricantes de semicondutores. O índice Philadelphia Semiconductor, que acompanha os papéis das principais companhias do setor nos Estados Unidos, caiu 3,4%, ampliando o tombo de 7,2% registrado na última sexta-feira.

O movimento, segundo especialistas, reflete as crescentes dúvidas dos investidores sobre a capacidade das gigantes de tecnologia de transformar os investimentos bilionários em inteligência artificial (IA) em receitas e lucros. As preocupações ganharam força após resultados financeiros decepcionantes de empresas como Alphabet e Amazon.

— O petróleo mais barato deveria favorecer as ações de tecnologia, mas o fato de os papéis não terem conseguido sustentar os ganhos da abertura, mesmo com a forte queda da commodity, mostra como a confiança dos investidores está enfraquecida após as perdas expressivas da semana passada — afirmou Dave Mazza, CEO da Roundhill Financial, ouvido pela Bloomberg.

Segundo o executivo, a proximidade da divulgação dos resultados financeiros da Apple e da Palantir, além das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira, também contribuiu para a cautela dos investidores. — Com a divulgação dos resultados da Apple e da Palantir nesta noite e as eleições de meio de mandato amanhã, há pouco interesse em aumentar a exposição ao risco no setor de tecnologia antes de dois acontecimentos que podem provocar movimentos expressivos nos mercados — acrescentou Mazza.

Eleições americanas no radar Além das tensões geopolíticas e das preocupações com a inteligência artificial, os investidores acompanham as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que definirão a composição do Congresso americano.

O resultado poderá influenciar a capacidade do presidente Donald Trump de implementar sua agenda econômica, especialmente em temas como política fiscal, comércio internacional e regulamentação da inteligência artificial. Segundo relatório da Wolfe Research, os investidores que esperam que as eleições eliminem as incertezas sobre os rumos do mercado acionário podem acabar se deparando com novas preocupações relacionadas ao setor de tecnologia.

Dados compilados pelo Morgan Stanley mostram que, desde 1950, as ações americanas registraram valorização nos períodos de seis e 12 meses posteriores às eleições de meio de mandato. Apesar do histórico favorável, analistas ressaltam que o desempenho das bolsas dependerá também dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e dos resultados financeiros das gigantes de tecnologia.

— Será uma semana extremamente interessante para os mercados. Teremos questões políticas e geopolíticas para interpretar.

E as dúvidas crescentes sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial provavelmente terão muito mais importância do que os padrões históricos para determinar a direção do mercado daqui para a frente — afirmou Matt Maley, da Miller Tabak à Bloomberg. Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, também beneficiadas pelo recuo dos preços do petróleo.

Em Londres, o FTSE 100 encerrou o pregão aos 10.761 pontos. Em Frankfurt, o DAX fechou aos 25.982 pontos.

Já em Paris, o CAC 40 avançou 0,98%, aos 8.047 pontos. No Brasil, a B3 permaneceu fechada nesta segunda-feira devido ao feriado de Finados.

Apesar da ausência de negociações no mercado doméstico, o EWZ, fundo de índice negociado em Nova York que funciona como uma espécie de espelho do mercado acionário brasileiro, operava em leve alta. Por volta das 15h44, o fundo, que reúne ações de grandes empresas brasileiras, avançava 0,06%, cotado a US$ 32,48.

As bolsas da Ásia fecharam sem direção única, com altas na China, na Coreia do Sul e em Hong Kong, mas queda em Tóquio. Confira abaixo:

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Dow Jones: +0,41% S&P 500: -0,51%

Nasdaq: -1,07% Na Europa

Londres: -0,13% Frankfurt: -0,19%

Paris: +0,40% Na Ásia

Tóquio: - 0,33% (fechamento) China: + 1,08% (fechamento)

Coreia do Sul: +2,24% (fechamento) Shenzhen: +0,23% (fechamento)

Hong Kong: +0,42 (fechamento)

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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