O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu os argumentos de representantes de clubes de futebol favoráveis à manutenção das apostas esportivas on-line, as bets, e defendeu a proibição da modalidade no Brasil. Durante audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (3/11), Padilha afirmou que a preocupação do governo deve estar concentrada nos impactos sociais e sanitários das apostas, e não nas perdas financeiras das equipes esportivas.Em uma fala direcionada aos representantes do futebol, o ministro fez um contraponto entre os interesses econômicos dos clubes e os efeitos da prática sobre a população.
“Ouvi um representante de um time de futebol dizer que a briga dele são os clubes e os salários, como manter o time de futebol. A minha briga são as mulheres, 65% delas que têm vergonha de procurar um serviço de saúde, mesmo quando reconhecem que estão viciadas”, afirmou.Leia também: Messias defende proibição das bets e cita apoio de 78% da populaçãoPadilha também chamou atenção para a relação entre o vício em apostas e o risco de suicídio.
Segundo ele, pesquisas apontam que pessoas expostas às bets têm risco 15 vezes maior de cometer suicídio. O ministro destacou que a preocupação é ainda maior entre as mulheres e citou o aumento da procura por atendimento para tratar a ludopatia, condição caracterizada pela compulsão por jogos de azar.
“A minha briga são os profissionais de saúde que sentem, na ponta das unidades de saúde, ao longo desses anos, um crescimento exponencial de pessoas que procuram os serviços para tratar da ludopatia”, declarou.Para dimensionar o problema, Padilha apresentou dados segundo os quais 28 milhões de brasileiros realizaram apostas nos últimos 12 meses.
Desse total, 11 milhões apresentam comportamento de risco ou padrões problemáticos relacionados aos jogos. O ministro acrescentou que a procura pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimentos relacionados à ludopatia associada aos jogos eletrônicos cresceu mais de 200% entre 2018 e 2026.Leia também: Drama das famílias com bets não é maior do que desemprego no futebol, diz FluminenseO titular da Saúde também recorreu a experiências internacionais para sustentar sua posição contrária à flexibilização das apostas.
Segundo ele, países que legalizaram a atividade e posteriormente adotaram restrições à publicidade não conseguiram apresentar melhora nos indicadores de saúde relacionados ao problema. Padilha afirmou que conversou com ministros da Saúde de outros países e que as medidas de controle não foram suficientes para reverter os impactos da prática.A audiência foi convocada por Luiz Fux para discutir os efeitos da proibição das bets e reunir representantes do governo, do setor de apostas, de clubes esportivos e da sociedade civil.
O debate ocorre em meio à disputa entre os argumentos econômicos de quem defende a atividade e os alertas sobre os danos provocados pelo vício em jogos. Para Padilha, a questão ultrapassa a arrecadação e as receitas do esporte e deve ser tratada como um problema de saúde pública.
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Correio Brazilliense