Otoni de Paula condena uso de figuras bíblicas para justificar fuga de Flávio Bolsonaro: “não eram investigados por lavagem de dinheiro”

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O deputado federal e pastor Otoni de Paula (PSD) criticou, nesta quinta-feira (29), publicações de perfis evangélicos que utilizam passagens bíblicas para justificar a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos após sua derrota na eleição presidencial. O parlamentar rejeitou as comparações entre o senador e personagens religiosos, argumentando que os episódios narrados na Bíblia não podem ser equiparados à situação do candidato derrotado.

Otoni publicou um vídeo nas redes sociais em resposta a conteúdos que associam a saída de Flávio do Brasil às histórias de Davi, José e Jesus. As postagens apresentam episódios em que essas figuras se afastaram de situações de perigo como exemplos de que fugir nem sempre representa covardia.

O deputado contestou a interpretação e destacou que os personagens bíblicos mencionados não enfrentavam investigações por crimes financeiros, diferentemente da situação atribuída ao senador. “Isso aqui é um card tentando defender a fuga do Flávio Bolsonaro usando Davi, usando José e usando Jesus.

Como eu acho que esta comparação entre a fuga de Flávio e o que aconteceu com Davi, com Jesus e com José, eu preciso apenas salientar que realmente Davi fugiu para sobreviver, José realmente fugiu para não pecar e até Jesus se retirou diante do perigo. Mas nenhum deles estava sendo investigado por lavagem de dinheiro”, declarou Otoni.

A manifestação do parlamentar ocorre em meio à circulação de mensagens de apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que deixou o país após perder a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Deputado condena uso da Bíblia para defender políticos

Além das declarações feitas em vídeo, Otoni de Paula publicou uma mensagem em que questionou a utilização da religião para legitimar decisões de figuras públicas. Para ele, existe uma diferença fundamental entre buscar proteção diante de uma ameaça e tentar escapar das consequências de determinadas atitudes.

“Não podemos usar a Bíblia para transformar políticos em figuras sagradas ou justificar suas atitudes. Jesus não pode ser usado como escudo para político nenhum!”, escreveu o deputado.

A crítica foi direcionada especialmente a uma publicação compartilhada por perfis evangélicos que reúne referências a três personagens bíblicos para defender a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. “Nem toda fuga é covardia.

Davi fugiu para sobreviver, José fugiu para não pecar e até Jesus fugiu diante do perigo. Às vezes, ter sabedoria para sair também é vencer”, afirma o conteúdo divulgado nas redes sociais.

Otoni reconheceu que os episódios religiosos mencionados envolvem situações nas quais o afastamento representou uma forma de proteção ou uma decisão moral. Entretanto, rejeitou a tentativa de aplicar a mesma interpretação à conduta do senador.

Ao mencionar a investigação por lavagem de dinheiro, o deputado procurou estabelecer uma distinção entre os relatos religiosos e as circunstâncias políticas e judiciais envolvendo Flávio Bolsonaro. Publicações de evangélicos provocam divergências nas redes sociais

A tentativa de estabelecer paralelos entre a fuga do candidato derrotado e episódios bíblicos também gerou reações divergentes entre usuários das redes sociais. Uma das publicações mencionadas pela reportagem de O Globo apresenta uma imagem produzida por inteligência artificial na qual Flávio Bolsonaro aparece usando a faixa presidencial ao lado do pai, Jair Bolsonaro.

Na legenda, o responsável pela postagem sustenta que personagens religiosos também precisaram deixar determinados lugares diante de ameaças e perseguições. “a Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres de Deus que, diante de perseguições, ameaças e injustiças, decidiram fugir e nem por isso foram considerados covardes”, afirma o texto.

A argumentação, entretanto, não encontrou apoio unânime entre os internautas. Nos comentários, usuários questionaram a comparação e destacaram as diferenças entre os episódios religiosos e a saída do senador do país após o resultado eleitoral.

“Concordo. Mas nenhum desses fugiu porque perdeu uma eleição.

Todos esses aí foram santos, nenhum desses fugiu de uma democracia, e Nosso Senhor Jesus Cristo não gostava muito de se misturar política com religião não viu?”, escreveu um internauta. As manifestações evidenciam a disputa de interpretações sobre a decisão de Flávio Bolsonaro, inclusive entre setores religiosos que acompanham o debate político nas redes sociais.

Otoni de Paula declarou apoio a Lula na eleição presidencial A posição do deputado também chama atenção por sua trajetória política.

Otoni de Paula esteve associado ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e exerceu uma função de liderança na Câmara dos Deputados durante a gestão do antigo aliado. Apesar desse histórico, o parlamentar declarou apoio a Lula durante a campanha presidencial de 2026, em uma mudança de posicionamento em relação às eleições anteriores.

Na ocasião, Otoni afirmou que nunca havia votado no petista, mas justificou sua decisão dizendo que “teve um encontro com a verdade, não com a narrativa de quem ele era”. O apoio ao presidente marcou seu afastamento político do campo bolsonarista.

Agora, ao contestar publicações que utilizam referências religiosas para defender Flávio Bolsonaro, o deputado volta a se posicionar contra argumentos apresentados por apoiadores da família do ex-presidente. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após derrota para Lula

A controvérsia ocorre depois que Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos na sequência da eleição presidencial realizada no último domingo (25), vencida por Lula. De acordo com as informações divulgadas, o senador deixou Brasília, atravessou a fronteira com a Argentina pela região de Foz do Iguaçu, no Paraná, e posteriormente embarcou em um voo com destino a Miami, na Flórida.

Flávio desembarcou nos Estados Unidos na terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. Informações atribuídas ao jornal americano The New York indicam que um funcionário da Casa Branca teria participado da organização do jato utilizado pelo senador para deixar o Brasil.

A operação teria contado com a ajuda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a derrota eleitoral do candidato do PL.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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