As três principais companhias aéreas estatais da China estão apostando cada vez mais na demanda externa para superar seu fraco desempenho financeiro. A estratégia ecoa a de empresas chinesas de outros setores, que buscam compensar nas exportações a intensa concorrência no mercado interno e uma economia em ritmo lento.
Wang Zhiqing, presidente do conselho da China Eastern Airlines, afirmou na terça-feira que a companhia tem ampliado agressivamente seus destinos internacionais para mitigar o impacto negativo dos altos preços dos combustíveis e da forte concorrência no mercado doméstico. Em uma sessão de perguntas e respostas on-line com investidores, ele explicou que a empresa, sediada em Xangai, tem "intensificado sua expansão global", lançando ou retomando 18 rotas internacionais este ano.
Pelo menos cinco dessas iniciativas ocorreram no terceiro trimestre, incluindo novas rotas que conectam o principal hub internacional da China Eastern — o Aeroporto de Xangai-Pudong — às capitais da Geórgia (Tbilisi) e da Irlanda (Dublin), além da cidade de Cheongju, na Coreia do Sul.
A companhia também restabeleceu uma conexão entre a antiga capital chinesa, Xi'an, e Incheon, na Coreia do Sul. Além das rotas novas ou retomadas, a companhia aérea aumentou a frequência de voos em pelo menos uma dúzia de rotas internacionais durante o período de julho a setembro.
Entre os destinos contemplados estão locais na Ásia e na Europa, como Bali, Manila, Kuala Lumpur, Phuket, Cidade de Ho Chi Minh, São Petersburgo, Londres e Frankfurt. Na semana passada, a China Eastern informou que seu lucro líquido no terceiro trimestre foi de 64 milhões de yuans (US$ 9,6 milhões), uma queda de 98% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nos primeiros nove meses do ano, a empresa registrou um prejuízo líquido de 2,1 bilhões de yuans. A situação não é exclusiva da China Eastern entre o trio de estatais.
O lucro líquido da Air China no terceiro trimestre despencou 93% na comparação anual, atingindo 270 milhões de yuans, com um prejuízo líquido de 2 bilhões de yuans no acumulado dos nove meses. Já a China Southern Airlines — a maior das três em termos de receita e tamanho de frota — registrou um prejuízo de 609 milhões de yuans no terceiro trimestre, elevando suas perdas nos três primeiros trimestres para 4,3 bilhões de yuans.
As três companhias apontaram a alta nos preços dos combustíveis — decorrente do conflito em curso no Oriente Médio — como o principal fator negativo. Li Ganbin, secretário do conselho da China Eastern, afirmou, na mesma sessão em que participava seu superior, Wang, que a empresa aérea também enfrentou "pressões causadas pelos preços deprimidos das passagens no mercado doméstico".
Isso foi particularmente notável durante o período de pico de viagens, em julho e agosto. Segundo ele, "a tendência de melhora financeira impulsionada pela demanda internacional tornou-se ainda mais evidente" nesse período.
A receita das três companhias aéreas no trimestre de verão do hemisfério norte cresceu entre 2% e 8%, situando-se em uma faixa entre 42 bilhões e 52 bilhões de yuans, impulsionada, sobretudo, pelo crescimento nos serviços internacionais.
Valor