Navegando pelas águas da Guanabara, soube que existem somente cerca de 30 botos para essa nossa imensidão. Símbolo do Rio de Janeiro, presente na bandeira da cidade, os animais foram caçados, vítimas da poluição, não receberam a devida atenção de autoridades e, aos poucos, caminhamos infelizmente para a extinção.
Ao chegar em casa, procurei com afinco o belo livro da jornalista Cristina Chacel e do fotógrafo Custodio Coimbra, “Guanabara: Espelho do Rio”. Gênio do olhar, o registro de capa do Custodio retrata exatamente um boto exuberante, com o corpo fora da água, em um pulo com ares artísticos.
Se estivermos com sorte, esse belo “modelo” ainda respira. Acompanhando-me nessa travessia a bordo de uma traineira, o biólogo Ricardo Gomes, do Instituto Mar Aberto, frisou: “deveríamos ter comemoração a cada boto que nasce”.
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O Globo