Ordem secreta suspendeu batidas da polícia de imigração dos EUA no dia da eleição

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

Uma ordem interna suspendeu todas as operações de batidas da Polícia de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos no dia da eleição, nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026. A diretiva circulou pelo WhatsApp interno da divisão de Operações de Execução e Remoção e por comando verbal, sem e-mail oficial nem anúncio público, em apuração exclusiva do Intercept com agentes do órgão em quatro regiões do país.

“Fomos informados de que todas as operações estavam canceladas no dia da eleição”, disse um agente da ICE que atua no sul do país e pediu anonimato para preservar o emprego. “Boca a boca dos nossos supervisores de linha de frente, nenhum aviso oficial por e-mail.”

Agentes que trabalham em operações de rua foram deslocados para tarefas administrativas. Um oficial da região dos Grandes Lagos resumiu a ordem como “dia nacional de não aplicação” e disse que passaria o dia “tomando café no escritório pela primeira vez em um ano”.

Os dados de plataformas de monitoramento comunitário confirmam a paralisação. Sherman Austin, criador do StopICE.net, site com cerca de 500 mil assinantes que registra atividades da ICE, disse que o dia 3 de novembro teve a menor atividade do órgão em todo o ano, sem o pico habitual entre 5h e 10h da manhã.

A rede do AntiFreeze, outra plataforma de alertas em tempo real, registrou apenas 56 avistamentos da ICE em todo o território nacional na terça-feira, um dos níveis mais baixos para uma terça-feira. Quase todas as ocorrências eram veículos estacionados ou passagens perto de cadeias, sem registros de prisões.

Funcionários que falaram ao Intercept disseram que a ordem foi passada de forma discreta para evitar atenção da imprensa. A suspensão valeu apenas um dia, e a máquina de deportação retomou o ritmo normal nesta quarta-feira, 4 de novembro.

O silêncio eleitoral contrasta com o efeito das operações sobre o eleitorado latino. Pesquisa divulgada na véspera da votação aponta que 61% dos eleitores hispânicos pretendiam votar em democratas nas eleições de meio de mandato, incluindo 11% que haviam votado em Donald Trump em 2024, ano em que ele conquistou 44% desse grupo.

Marisa Franco, diretora da organização Mijente, avaliou que a violência das operações de imigração pesou na perda de apoio, mas alertou que os democratas não podem considerar o voto latino garantido: a maioria dos latinos é classe trabalhadora e votou em Trump por economia e custo de vida, questões que pioraram no governo dele.

Entre os eleitores atingidos pelas deportações está Wayne DeMario, de Miami, ex-eleitor de Trump cuja esposa, Yamile, cubana, foi deportada para o México. “Eu rezei para que todos votassem para tirar esses lixos do poder”, disse ao programa Democracy Now!.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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