A Qualcomm registrou receita de US$ 10,7 bilhões no balanço divulgado nesta quarta-feira, 4 de novembro, 7% abaixo do mesmo período do ano anterior. No mesmo comunicado, a empresa avisou que será cada vez menos necessária dentro do iPhone, porque a Apple desenvolve os próprios chips de conexão, segundo o portal mobiletime.com.br.
A previsão é de Akash Palkhiwala, diretor financeiro e de operações da Qualcomm. A participação da empresa nos próximos lançamentos da Apple ficará abaixo da estimativa anterior de 20% e deve continuar caindo nos anos seguintes.
O lucro líquido ficou em US$ 1,2 bilhão, revertendo o prejuízo de US$ 3,1 bilhões de um ano antes, quando a companhia contabilizou desvalorização de ativos e um encargo fiscal não esperado. O lucro antes de impostos recuou de US$ 3 bilhões para US$ 1,1 bilhão.
A ação fechou o pregão a US$ 173 e recuou para US$ 161 nas negociações após o fechamento, por volta das 18h. A Qualcomm, sediada em San Diego, na Califórnia, fatura pelos dois lados do negócio móvel, vendendo chips e cobrando royalties sobre patentes de comunicação usadas por praticamente todos os fabricantes do setor.
Falta de memória encolhe o negócio de celulares A receita de chips para celulares caiu 26%, para US$ 5 bilhões, afetada pela escassez de memórias que trava a indústria de aparelhos e pelas negociações de preço com os fabricantes.
A falta de componentes vem do desvio de capacidade das fábricas de memória para os chips de alto desempenho usados em data centers de inteligência artificial, o que reduziu a oferta de memória comum para celulares. O encarecimento atinge toda a cadeia, de fabricantes chinesas a fornecedores ocidentais.
Cristiano Amon, presidente da Qualcomm, disse que a empresa aplica aumentos na casa dos dois dígitos nos seus produtos, que chegam às margens de forma gradual ao longo dos próximos trimestres. O mercado chinês de celulares, segundo ele, tocou o fundo de receita no período e deve crescer em dois dígitos no trimestre seguinte.
Carros, fábricas e nuvem pagam a conta da Apple O segmento automotivo quase dobrou, com alta de 89% para US$ 1,99 bilhão, puxado pela demanda de computação embarcada em veículos.
A internet das coisas somou US$ 1,9 bilhão, 4% mais, com avanço em redes industriais e robótica. Palkhiwala estima que a receita fora dos smartphones, somando internet das coisas, automotivo e data centers, cresça mais de 60% no próximo ano, o suficiente para cobrir o que a empresa perde com a Apple.
É a aposta de Amon para deixar de ser uma fornecedora dependente do iPhone e virar uma fabricante de semicondutores espalhada por vários setores. A Qualcomm assinou dois contratos de chips sob medida para data centers de grandes provedores de nuvem, com faturamento a partir de dezembro e unidade de negócio própria em 2027.
No automotivo, acordos com BMW e Stellantis devem levar a receita anualizada do setor a até US$ 7 bilhões no fim do atual ano fiscal. O licenciamento de patentes, receita que depende do volume de aparelhos vendidos por fabricantes como a Apple, caiu 7%, de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,3 bilhão.
A Qualcomm foi por anos a principal fornecedora de modems do iPhone, e as duas empresas já se enfrentaram na Justiça antes de assinar um acordo em 2019, com pagamento bilionário e contrato de fornecimento de vários anos. No mesmo ano, a Apple comprou a divisão de modems da Intel, primeiro passo para substituir o fornecedor.
A Starlink escolheu a Qualcomm para disputar a rede terrestre Antes do balanço, a Starlink selecionou a Qualcomm para fornecer os chipsets de sua expansão em redes terrestres nos Estados Unidos.
O acordo é plurianual e prevê milhares de equipamentos instalados a partir do começo de 2027, dentro da estratégia da empresa de satélites de conectar celulares direto ao sistema. Os equipamentos Dragonwing QRU100 e QDU100 combinam antenas de múltipla entrada e saída com processamento de baixo consumo para cobrir o território americano.
A Starlink comprou neste ano a faixa nacional de 800 MHz da gestora Grain Management, por valor não revelado, e a EchoStar vendeu licenças de espectro por US$ 17 bilhões em setembro de 2025. A alta que a Qualcomm aplica aos seus chips tende a chegar ao varejo de celulares, abastecido em boa parte por marcas asiáticas que disputam a mesma memória escassa.
O Brasil monta aparelhos na Zona Franca de Manaus com peças importadas da Ásia, e o repasse de custo costuma aparecer no preço final. No automotivo, os acordos com BMW e Stellantis interessam à indústria instalada no Brasil, onde a Stellantis mantém fábricas e a BMW monta carros em Santa Catarina.
Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para a América Latina, é um dos palestrantes do Movecomm 2026. O que segue em aberto é o ritmo da Apple.
Cada geração do iPhone que dispensa o modem da Qualcomm encolhe a fatia que hoje já é menor que 20%, e a meta de crescer mais de 60% fora dos celulares terá de compensar essa perda já no próximo ano, quando os contratos de data centers começam a faturar.
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