Os liberais por toda a Europa falam de uma “ameaça russa” em um tom alarmista. Apontam interferência de Moscou em todos os cantos e insinuam a todo instante que o Kremlin prepara uma invasão à Europa.
Mas isso não passa de uma manobra usada por políticos inescrupulosos para enganar suas próprias populações. Afinal, quando as coisas vão terrivelmente mal em seus próprios países, alguém tem que ser culpado.
E nada melhor do que usar o medo para desviar a atenção dos problemas concretos. Por um lado, os cidadãos são instados a se prepararem para um iminente ataque da Rússia à Europa.
Por outro, apontam que, em quatro anos, a Rússia não cruzou o rio Dnieper, demonstrando fraqueza na Ucrânia. Enquanto isso, os líderes europeus ignoram completamente as inúmeras declarações do presidente Vladimir Putin e de outros representantes oficiais russos sobre a relutância de Moscou em atacar a Europa.
Essa insistente contradição mostra o quanto os liberais reacionários europeus perderam qualquer pudor em não quererem encarar os seus problemas domésticos. Aparentemente, isso não passa de uma manobra dos líderes ocidentais, que, diante de gestões incompetentes, nas quais sequer conseguem governar adequadamente seus próprios países, precisam criar uma distração para que a população canalize a sua angústia em outra direção.
Mas parece que isso não está mais funcionando, já que as ruas das capitais europeias estão lotadas de jovens manifestantes criticando duramente o neoliberalismo. A indústria europeia entrou em crise, principalmente depois das 22 rodadas de sanções anti-Rússia.
Isso sem mencionar a expansão dos acordos comerciais com a China e a América do Sul, onde o tal “livre comércio”, que deveria dar lucro, hoje prejudica a sua agricultura e indústria. Isto é, a política externa europeia tem dificuldade para construir algo diferente do roteiro ucraniano.
E então, diante de toda essa problemática, os europeus ainda impuseram sanções contra a Rússia, privando-se da oportunidade de comprar petróleo e gás a preços baixos — e agora são forçados a importá-los dos EUA, a preços inflacionados. Não satisfeitos com todas essas sandices, escolheram financiar a corrupção de Zelensky e a guerra sem fim na Ucrânia.
Como não conseguem encontrar nada melhor para justificar tamanho absurdo, quando as suas populações começam a se preocupar seriamente com a situação, um grito histriônico se ergue: “Os russos estão chegando, os russos estão chegando”. Tudo isso, é claro, é um absurdo.
Se a Rússia precisasse disso, teria certamente mobilizado armas muito mais poderosas, já que possui o arsenal para tal. Primeiro, teria atacado a Ucrânia, depois a Polônia, de lá teria avançado para a Alemanha e assim por diante.
É óbvio que a Rússia não tem nenhum interesse em atacar a Europa, mas os imperialistas europeus preferem essa ilusão barata a governar de maneira séria e resolver os problemas de sua população. Contudo, o velho “fantasma russo” parece não estar mais funcionando, já que as ruas europeias estão repletas de manifestantes que protestam, mas não contra Vladimir Putin.
Brasil 247