‘Pressão contra o governo para manter juros absurdos é brutal’, afirma Requião 

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O ex-governador do Paraná Roberto Requião (PDT-PR) fez críticas nesta quarta-feira (4) a representantes do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiram manter a Selic em 13,75%. “A pressão em cima do governo federal para que seja mantida a política do tripé econômico e dos juros absurdos na Selic é brutal.

Vamos acompanhar e ver se o nosso governo aprendeu alguma coisa. Queira Deus que sim”, escreveu Requião na rede social X. O Copom é ligado ao Banco Central (BC).

Com o percentual mantido em 13,75%, o Brasil seguiu com a maior taxa de juros reais entre 40 economias analisadas. O dado leva em consideração o juro descontadas as expectativas de inflação para os próximos 12 meses.

A política do tripe econômico, citada por Requião, é referente ao conjunto de três referências na área econômica – metas de inflação, câmbio flutuante e metas fiscais. Conforme denunciam lideranças do campo progressista brasileiro, a taxa de juros alta serve aos interesses da elite empresarial.

Quanto mais alta estiver a Selic, maior tende a ser o retorno de aplicações de renda fixa vinculadas à taxa básica de juros, especialmente dos títulos públicos federais.  Por exemplo, em um investimento de R$ 600 mil, uma Selic de 14% ao ano representaria um rendimento aproximado de R$ 84 mil em 12 meses.

Se a taxa recuasse para 8%, o retorno seria de cerca de R$ 48 mil no mesmo período. Entre os políticos, os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Talíria Petrone (Psol-RJ) criticaram a decisão anunciada por integrantes do Copom e defenderam redução dos juros no País. 

Membros da Força Sindical denunciaram “extorsão financeira“. Membros da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp) também demonstraram insatisfação com o manutenção da Selic em 13,75%.

A oitava reunião de representantes do Copom em 2026 está prevista para acontecer nos dias 8 e 9 de dezembro. Será o último encontro deste ano para anunciar o percentual da Selic no Brasil. 

Tripe econômico Embora o tripé macroeconômico tenha contribuído para estabilizar a economia brasileira, sua aplicação continua sendo alvo de questionamentos entre economistas.

As críticas se concentram principalmente nas limitações do regime de câmbio flutuante, na definição das metas de inflação e na rigidez das regras de resultado fiscal. Uma das principais controvérsias envolve a liberdade de flutuação do câmbio.

Críticos argumentam que a ausência de mecanismos de administração da taxa cambial pode prejudicar a indústria nacional, especialmente os segmentos de maior conteúdo tecnológico e valor agregado.  O conceito “valor agregado” corresponde às características e vantagens adicionais que tornam um produto ou serviço mais completo, diferenciado e atrativo, indo além de sua finalidade básica e do preço cobrado.

Custo com tipos de personalização do produtos, por exemplo, gera necessidade de importação, feita em dólar.  Outro ponto de debate é a política de metas de inflação, que estabelece limites para a alta dos preços sem necessariamente distinguir as causas que provocam o aumento.

Quando a inflação decorre do aquecimento da demanda, a elevação dos juros pode reduzir o consumo e conter a pressão sobre os preços.  A economia tradicional argumenta que juros são necessários para segurar a inflação.

A Selic menor estimula o consumo e aumenta o risco de inflação porque o povo estaria com mais poder de compra devido ao crédito mais barato, sobrando mais dinheiro para gastar com produtos de preços mais altos.  Mas, entre analistas, também há quem defenda que juros menores podem ajudar em queda da inflação porque uma Selic mais baixa diminui o custo financeiro da dívida pública.

As consequências seriam mais investimentos e expansão da oferta de bens e serviços. Neste cenário, investidores não teriam por que temer risco fiscal.

Com maior quantidade da moeda estadunidense no território brasileiro, o valor do dólar registraria queda, reduzindo a inflação. A política de superávit primário (meta fiscal) é outra proposta alvo de críticas entre setores mais progressistas da sociedade.

Uma corrente de economistas defende que as metas fiscais acompanhem as condições da atividade econômica, permitindo ao governo ampliar despesas ou reduzir a arrecadação em períodos de desaceleração.  A flexibilidade possibilitaria utilizar a política fiscal para estimular a produção, sustentar a demanda e enfrentar momentos de dificuldade econômica, sem manter uma exigência uniforme de resultado positivo independentemente da conjuntura.

A pressão em cima do governo federal para que seja mantida a política do tripé econômico e dos juros absurdos na Selic é brutal. Vamos acompanhar e ver se o nosso governo aprendeu alguma coisa.

Queira Deus que sim.— Roberto Requião (@requiaooficial) November 4, 2026

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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