Oposição negocia candidatura única para disputar comando do Senado

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A líder do PP no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), reafirmou nesta terça-feira, 3 de novembro, a candidatura à presidência da Casa e confirmou conversas com o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), para que os dois não se enfrentem na disputa. A eleição que define o comando do Senado está marcada para fevereiro de 2027, em votação entre os senadores, segundo O Povo.

Tereza disse a jornalistas que a candidatura dela e a de Marinho seguem de pé, mas que os dois negociam um entendimento. Pelo relato da senadora, ainda não existe acordo fechado com o colega do PL.

“A minha candidatura está mantida e a dele também. Vamos ver mais para frente”, afirmou Tereza.

A senadora deu a dimensão do prazo que os dois têm pela frente. “Temos pouco menos de 90 dias para isso”, declarou.

Tereza também expôs o objetivo pessoal na disputa, numa Casa que jamais teve uma mulher na presidência. “Eu quero ser a primeira mulher presidente do Senado”, afirmou.

O tabuleiro e o candidato do governo Contra a articulação de PL e PP, o governo Lula trabalha com um nome próprio na disputa.

O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é apoiado pelo Palácio do Planalto e deve concorrer ao cargo, segundo o cenário descrito nesta terça. A eleição de fevereiro define quem comanda a pauta do Senado e negocia o Orçamento com o governo e a Câmara.

Rogério Marinho afirmou que não será candidato contra Tereza e que a tendência é que os dois não sejam adversários. “Continuamos a conversar.

Estamos discutindo um acordo entre nós, mas não seremos candidatos um contra o outro”, disse o senador do PL. A costura entre os dois vai além da eleição de fevereiro.

Uma das possibilidades em discussão pela oposição ao governo é um rodízio que distribua a presidência do Senado entre Marinho e Tereza, com um dos dois concorrendo em 2027 e o outro em 2029. O arranjo amarraria dois mandatos de uma vez e transformaria a eleição em uma partilha combinada de antemão entre dois senadores do mesmo campo.

O voto aberto entra na conta O PL deve levar nesta quarta-feira, 4 de novembro, à discussão interna a proposta de abrir o voto na eleição da presidência do Senado.

Hoje, a escolha é feita por voto secreto dos senadores. A sigla avalia defender o voto aberto como forma de expor e pressionar parlamentares que poderiam votar pela reeleição de Alcolumbre.

Com o voto aberto, cada senador fica obrigado a mostrar publicamente de que lado está na disputa. A pressão recai sobre aqueles que se elegeram com o apoio do bolsonarismo, mas que poderiam migrar para o campo governista na hora da votação.

A mudança de regra não depende apenas do PL. O voto secreto é a regra atual, e abrir a votação exigiria alterá-la, o que passaria por uma decisão do conjunto dos senadores.

Por isso, o movimento do PL é, por ora, uma ameaça de agenda, não uma decisão tomada. O que a partilha antecipada custa ao plenário

A presidência do Senado não escolhe apenas quem senta na cadeira principal. Define quem controla a pauta, distribui as comissões, decide o ritmo das votações e conduz a negociação do Orçamento.

Quando o resultado é combinado antes do voto, o plenário perde poder de barganha e vira plateia de uma conta já fechada. No caso de um rodízio entre 2027 e 2029, o acordo amarraria os dois mandatos seguintes.

Os senadores que não participaram da negociação ficariam diante de um quadro definido, com pouca margem para alterar o comando da Casa. A eleição de fevereiro deixaria de ser uma decisão aberta e passaria a ratificar um entendimento costurado no bastidor.

Para o governo Lula, o cenário é delicado. O Planalto aposta em Alcolumbre para manter influência sobre a pauta do Senado, mas o bloco de oposição tenta fechar a conta antes do voto.

Se o acordo entre Marinho e Tereza se consolidar e atrair apoios, o candidato do governo pode chegar a fevereiro com o caminho estreitado. O prazo que Tereza mencionou, pouco menos de 90 dias, é o tempo que resta até a votação.

A disputa também pesa sobre a relação entre Senado e Câmara. O presidente do Senado preside a sessão conjunta do Congresso que vota o Orçamento, e o acordo antecipado define quem terá essa alavanca nos próximos anos.

Nesse intervalo, o PL decide se abre o jogo do voto, os dois senadores da oposição fecham ou desfazem a costura, e o governo busca votos para furar o arranjo. A eleição do comando do Senado chega a fevereiro de 2027 com o resultado, em boa medida, já negociado fora do plenário.

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